sabato 24 aprile 2010

NEOLEXIA

A neolexia, do grego neo = novo + lexia, de lexis = palavra é a parte da linguística que trata da criação de palavras. Com o conhecimento aprofundado deste tema você pode tornar-se um neologista ou ser capaz de entender o significado dos neologismos que encontrar em suas leituras. Também conhecida por onomaturgia = trabalho de fazer nomes, a neolexia já era uma atividade raramente encontrável na época de Platão (428-347 a.C) na Grécia.

Para criar palavras é necessário conhecimento dos prefixos vernáculos e dos prefixos e sufixos gregos e latinos, além de conhecer outros termos gregos e elementos de outras línguas. A partir daí você poderá “criar” nomes compreensíveis, lógicos e aceitáveis. Atenção: “criar” e não “inventar”. Um exemplo de neologismo que foi muito bem aceito em todas as línguas é a palavra burocracia = o poder da mesa, criada pelo economista francês Jean-Claude M; Vincent (1712-1759), numa junção da palavra francesa “bureau” = mesa com a palavra grega “cracia” = poder. O burocrata, palavra derivada, senta-se atrás de uma mesa e tome exigências para atender as demandas da população. No Brasil, a burocracia estatal exige até “Atestado de Vida” passado em Cartório em determinadas situações.

Sambódromo e camelódromo são exemplos de neologismos com hibridismos estranhos. Caso você não venha a criar palavras, este exercício é importantíssimo para ajudá-lo a entender os neologismos encontrados. Exemplos: a letra a- colocada diante de certas palavras cria um novo vocábulo, como em acéfalo (a = sem + cefalé = cabeça). No caso de a palavra começar por vogal a partícula privativa a- transforma-se em an-: anaeróbio, composta por na+aero+bio = vibrião que vive sem oxigênio.

Outro exemplo que poderá facilitar o entendimento deste exercício é a palavra cosmonauta (do grego kosmós = universo + naus = navio + a partícula ta), criada pelos russos em 1960; os estadunidenses, por conta da guerra fria, rebateram com a criação da palavra astronauta (do grego áster, astro + nauta); em 1998, ao ingressar a China na corrida pela exploração do espaço, Chiew Lee Yih criou um neologismo para designar um chinês navegando pelo espaço: taikonauta (junção da palavra taikong = espaço em mandarim + a palavra grega e latina nauta.

1. Tente explicar o sentido das palavras em itálico nas seguintes orações e descreva os termos que a compõem:

a) Nas regiões equatoriais é necessário ser heliófugo;
b) As lutas religiosas sugerem a criação de um teódromo;
c) Escravos preferiam a dulocracia dos Quilombos à tiranocracia dos Engenhos;
d) As modelos, quando não sofrem de anorexia, sofrem de magiorexia.
e) O escritor Guimarães Rosa foi um exímio glossoplasta.

2. Dê o significado e diga quais os termos que compõem as palavras:
analfabeto, apatia, anestesia, afasia.

3. Crie uma palavra que descreva uma fobia, mania ou uma atividade profissional (pode ser a sua) ou uma atividade de lazer e diga quais os termos que a compõem.

4. Se possível, explique como foi o seu processo de criação.


Zacharias Bezerra de Oliveira

lunedì 19 aprile 2010

FOBIAS

O texto das manias suscitou muito interesse e uma leitora de Rondônia professora Irlêda Figueredo, logo pediu a relação das fobias... e depois dela dezenas de leitores também pediram essa relação.

A fobia é o contrário da mania e parece mais fácil de entender, mas é igualmente difícil de descobrir o porquê. Segundo o Zelador da Casa da Dinda ex-presidente Collor, (quando morava ali), tinha fobia de teia de aranha. O presidente Janio Quadros provavelmente sofria de alectorofobia, pois em 1960 mandou fechar todas as rinhas do Brasil. Penso que assim explicaria Freud. (Com estericos* as palavras que estão no VOLP/2009).

Atenção: o que chamamos de fobia em alguns casos é só, “forte aversão”, “temor exagerado”...


Ablutofobia* = fobia de lavar as mãos.
Actinofobia = f. de raios.
Afonofobia = f. de perder a voz.
Agorafobia = f. de lugar aberto, praças...
Agrofobia* = f. de campo.
Alectorofobia = f. de galos.
Alfitofobia = f. de comer farinha.
Amaxofobia* = f. de carros.
Ancilofobia* = f. de curvas.
Androfobia* = f. de homens. [Ginecofobia]
Anestesiofobia = f. de anestesia.
Angelofobia= f. de anjo.
Antofobia* = f. de flor.
Apodectafobia = f. do cobrador de impostos, fiscal.
Argirofobia = f. de prata.
Arquetipofobia = f. de moldes, modelos.
Automatofobia = f. de autômatos/autómatos.
Bacteriofobia = f. de baterias.
Batofobia* = f. de profundidade.
Barometrofobia = f. de balança/de pesar-se.
Bdelafobia = f. de sanguessuga/lampreia.
Bibliofobia* = f. de livros.
Brontofobia = f. de trovão.
Butirofobia = f. de manteiga, gordura...
Capnofobia* = f. de fumaça.
Ceratofobia = f. de chifre, e/ou de cera.
Cianofobia = f. da cor azul.
Cinofobia = f. de cachorro.
Citrofobia = f. de ingerir cítricos.
Claustrofobia* = f. de espaço apertado.
Cleptofobia* = f. de roubo, de ser roubado.
Clinofobia* = f. de leito, cama.
Coanofobia = f. de funil, de túnel.
Cocainofobia* = f. de cocaína.
Coreofobia = f. de dança.
Cosmofobia = f. do cosmos, universo...
Criofobia = f. de frio ou de gelados.
Cristalofobia* = f. de cristal, de cristais...
Cromofobia* = f. de cores.
Cronômetrofobia = f. de medir o tempo.
Dacriofobia = f. de lágrimas.
Demofobia* f. do demônio e/ou do povo.
Dendrofobia = f. de árvores.
Diabetofobia = f. de diabete.
Dipsofobia* = f. de abusar da bebida.
Dodecaedrofobia = f. de figuras de 12 lados.
Doxofobia = f. de glória, de louvor.
Ecmofobia* = f. de tocar em objetos pontudos.
Eneagofobia = f. de polígono de 9 lados.
Enofobia* = f. de tomar vinho.
Equidnofobia = f. de víboras.
Equinofobia = f. de cavalos.
Ergofobia* = f. de trabalhar.
Eritrofobia = f. de vermelho
Erotofobia* = f. de erotismo.
Escafofobia = f. de andar de barco.
Escórpiofobia = f. de escorpião.
Eterofobia = f. de consumir éter.
Fagofobia = f. de comer.
Fantasmatofobia = f. de fantasma.
Farmacofobia* = f. de fármacos.
Filomania* = f. de fazer amizades.
Fotofobia* = f. de tirar fotos.
Fraseofobia* = f. de frases rebuscadas.
Galactofobia = f. de ingerir leite.
Gimnofobia* = f. de nu, de nudismo.
Ginecofobia* = f. de mulheres. [Androfobia].
Halofobia = f. de consumir sal.
Heliofobia* = f. de tomar sol.
Hematofobia* = f. de sangue.
Herpetofobia* = f. de réptil e/ou répteis.
Hialofobia* = f. de vidro.
Hidrofobia* = f. de água.
Hierofobia = f. do sagrado.
Hipnofobia* = f. do sono.
Hipofobia = f. de cavalos.
Homofobia* f. de aversão a homossexual/homossexualismo.
Iconofobia* = f. de imagens
Lagenofobia = f. de garrafa
Lagofobia = f. de lebre.
Lalofobia* = f. de falar muito.
Lemofobia* = f. de peste.
Lepadofobia = f. de conchas, búzios.
Letofobia = f. de morte.
Leucofobia = f. de branco, da cor branca.
Lexicofobia = f. de léxico, vocabulário.
Licofobia = f. de lobo, bicho papão...
Lipofobia* = f. de consumir gordura.
Logomaquiofobia = f. de luta verbal, discussão.
Macrofobia = f. de coisas grandes.
Margarofobia = f. de pérolas.
Martirofobia = f. de testemunhar.
Mastofobia = f. de seios.
Mateofobia = f. de discurso abstrato.
Mecanofobia = f. de mecânica.
Melanofobia = f. da cor preta.
Melofobia* = f. de canto.
Metrofobia = f. de medição, medir.
Metalofobia* = f. de tocar em metais.
Micetofobia = f. de cogumelos.
Microfobia* = f. de miniaturas.
Mielofobia = f. de consumir tutano.
Mimofobia = f. de imitação.
Miríadefobia = f. de cifras astronômicas.
Mitofobia* f. de mito, de utopia.
Monofobia* = f. de ficar só, de solidão.
Nanofobia = f. de coisas pequenas.
Narcofobia = f. de narcóticos.
Necrofobia* = f. da morte.
Nectofobia = f. de natação.
Neofobia* = f. de coisas novas.
Nestofobia = f. de jejum.
Nictofobia = f. da noite.
Ninfofobia = f. de ninfas, ninfetas.
Nomofobia = f. da lei.
Nosofobia* = f. de moléstia.
Oclofobia* = f. da populaça, da ralé.
Ocrofobia = f. de amarelo. [Xantomania].
Octofobia = f. do número oito.
Ofidofobia* = f. de cobras, serpentes.
Omofagofobia = f. de comer alimento cru.
Onefobia [oneo...] = f. de fazer compras.
Onirofobia = f. de sonhos.
Opiofobia = f. de ópio.
Opofobia = f. de consumir sucos.
Opsofobia = f. de comer determinado alimento
Orictofobia = f. de fósseis.
Ornitofobia = f. de pássaros.
Orofobia* = f. de montanhas.
Orrofobia = f. de soro.
Ortofobia = f. de linhas retas
Ostracofobia = f. de ostras, búzios...
Paleofobia* = f . de coisas antigas/velhas.
Partenofobia* = f. de mulheres virgens.
Pelofobia = f. de argila, barro, lodo.
Pentagonofobia = f. do Pentágono/polígono de 5 lados.
Pirofobia* = f. de fogo.
Pitecofobia = f. de macacos.
Plagiofobia = f. de plágio.
Plutofobia = f . de riqueza.
Pogonofobia = f. de barba.
Potamofobia* = f. de rios.
Pseudofobia* = f. de falsificação.
Psicrofobia* = f. de frio.
Pterosaurofobia = f. de lagarto alado.
Quenofobia* = f. de gansos.
Querofobia* = f. de alegria, horror à alegria.
Quetofobia = f. de cabeleira.
Quirofobia* = f. de mãos.
Quirurgofobia = f. de médico e de cirurgia.
Rafidofobia = f. de agulhas.
Rodofobia = f. de rosas.
Rombofobia = f. por losangos
Sacarofobia = f. de açúcares, doces...
Sarcofobia = f. de carne.
Saurofobia = f. de lagartos.
Selenofobia = f. da lua, do luar...
Siderofobia = f. de ferro.
Sigilofobia = f. de segredo
Sitiofobia* = f. de alimentos.
Sitofobia = f. de trigo.
Tafofobia* = f. de sepultura.
Talassofobia = f. de mar.
Tanatofobia* = f. de morte.
Taquifobia = f. de pressa, rapidez...
Taurofobia = f. de touros...
Taxifobia = f. de ordem, organização.
Tecafobia = f. de urna, de cofre...
Tecnofobia = f. de técnica, de arte...
Tefrofobia = f. de cinzas, da cor cinza.
Teofobia* = f. de Deus ou de deuses.
Teratofobia = f. de monstros.
Termofobia* = f. de calor.
Tipofobia = f. de publicar trabalhos.
Tireofobia = f. de escudos.
Toxicofobia* = f. de tóxicos.
Tricoptilofobia* f. de tricoptilose, alterar o cabelo¹.
Uranofobia = f. do firmamento, céu.
Xantofobia = f. da cor amarela.
Xenofobia* = f. de estrangeiro.
Xilofobia = f. de madeira.
Zigofobia = f. de par, de coisas pares.
Zitofobia = f. de cerveja, de bebida fermentada.
Zoofobia* = fobia de animais.

1) A palavra “tricoptilofobia”, tem dupla grafia, tricotilogobia, mas tricoptilose é forma única. (VOLP/2009).

domenica 4 aprile 2010

Manias

“Mania é coisa que a gente tem mas não sabe o porquê” (Sérgio Bittencourt).
Na minha coluna, Palavra, lógica e sentido de 05/04 eu falei do etimologia da palavra mania e dei alguns exemplos. Apresento agora uma relação com cerca de uma centena de manias, algumas são reais e outras fictícias ou criadas a partir de um nome. Mas atenção: as fictícias podem vir a ser reais. Cerca de 30 dessas manias estão no VOLP 2009, elas estão assinaladas com um asterisco*.
O contrário da mania é a fobia, que parece mais fácil de entender, porém é igualmente difícil de descobrir o porquê. Segundo uma testemunha o ex-presidente Collor, (quando morava na Casa da Dinda), tinha fobia de teia de aranha. O presidente Janio Quadros provavelmente sofria de alectorofobia, tanto é, que mandou fechar todas as rinhas do Brasil. Assim explicaria Freud. Atenção: o que chamamos de mania em alguns casos é “forte paixão”, “amor exagerado”...

Ablutomania* = mania de lavar as mãos.
Agromania* = m. ou paixão pelas coisas do campo.
Agoramania = m. de praças e de espaços abertos.
Alectotomania = m. por galos.
Alfitomania = m. de comer farinha.
Amaxomania = m. por carros.
Ancilomania = m. por curvas.
Andromania* = m. por homens. [Ginecomania]
Antomania* = m. de flor.
Argiromania = m. de prata.
Bibliomania* = m. de livros.
Capnomania* = m. de fazer fumaça.
Cianomania* = m. por azul.
Cinomania = m. por cachorro.
Citromania = m. de ingerir cítricos.
Clastomania = m. de destruição.
Claustromania = m. de viver enclausurado.
Clinomania* = m. de leito, cama.
Cocainomania* = m. de cocaína.
Coreomania = m. por dança.
Criomania = m. por frio ou gelados.
Cristalomania = m. de cristais
Cromomania = m. por cores.
Dacnomania* = m. mania de morder.
Dodecaedromania = m. por figuras de 12 lados.
Doxomania* = m. de gloria.
Eneagomania = m. por polígono de 9 lados.
Enomania* = m. por vinhos.
Equidinomania = m. por víboras.
Equinomania = m. por cavalos.
Ergomania* = m. de trabalhar.
Eritromania = m. por vermelho
Erotomania* m. de erotismo.
Etimomania = m. de procurar o étimo das palavras.
Facomania = m. por ervilhas.
Fagomania* = m. de comer.
Fantasmatomania* m. de aparição.
Filomania* = m. de fazer amizades.
Fitomania = m. por plantas.
Fraseomania* = m. por frases rebuscadas.
Galactomania = m. por leite.
Gimnomania = m. de nu, de nudismo.
Ginecomania* = m. por mulheres. [Andromania].
Halomania = m. de consumir sal.
Hapaxomania = m. por palavra única.
Heliomania = mania por sol.
Herpetomania = m. por réptil e/ou répteis.
Hipomania* = mania por cavalos.
Histeromania* = mesmo que ninfomania/uteromania
Iconomania* = mania por imagens
Isomania = m. de igualdade.
Lagenomania = m. por garrafa
Lagomania = m. por lebre.
Lalomania* = m. de falar muito
Lepadomania = m. por conchas.
Letomania* = m. de morte.
Leucomania = m. pelo branco.
Lexicomania = m. por léxicos.
Licomania* = m. por lobos.
Lipomania = m. de consumir gordura.
Litomania = m. por pedras.
Logomaquiomania = m. de luta verbal, discussão.
Macromania* = m. por cosias grandes.
Margaromania = m. por pérolas.
Martiromania = m. de testemunhar.
Mastomania = m. por seios.
Mateomania = m. pelo abstrato.
Mecanomania = m. por mecânica.
Melanomania = m. pela cor preta.
Melomania* = m. por canto.
Metromania* = mania de medir/de fazer versos.
Micetomania = m. por cogumelos.
Micromania* = m. por miniaturas
Mielomania = m. de consumir tutano.
Mimomania = m. de imitação.
Miríademania = m. por cifras astronômicas.
Monomania* = m. por cousas únicas.
Nanomania = m. por coisas pequenas.
Narcomania* = m. por narcóticos.
Necromania* = m. de morte
Nectomania = m. de natação.
Neomania = m. de coisas novas.
Nestomania = m. por jejum.
Nictomania = m. pela noite.
Ninfomania* = m. de forte desejo sexual na mulher.
Nomismatomania = m. por moedas. [No¹].
Nomomania = m. por lei.
Ocromania = m. por amarelo. [Xantomania].
Octomania = m. pelo número 8.
Ofidomania = m. por cobras.
Oligomania = m. de pouco (idéias, alimento...)
Omomania = m. de cru (alimento).
Onemania* [oneo...] = m. de comprar.
Oniromania = m. de sonho.
Onomatomania* m. de procurar nomes.
Oomania = m. de consumir ovo.
Opomania = m. de consumir sucos.
Opsomania* = m. de comer em excesso.
Orictomania = m. por fósseis.
Ornitomania* = m. por pássaros.
Oromania = m. por montanhas.
Ortomania = m. por linhas retas
Ostracomania = mania por ostras, búzios...
Paleomania = m. por coisas antigas.
Partenomania = m. de mulheres virgens.
Pelomania = m. por argila, barro, lodo.
Pepomania = m. por melão, melancia...
Piromania* = m. por fogo.
Pitecomania = m. por macacos.
Plagiomania = m. por plágio.
Plessiomania = m. de bater, comprimir, apertar.
Plutomania* = m. de riqueza.
Pogonomania = m. de barba.
Polifagomania = m. de comer muito.
Potamomania = m. por rios.
Pseudomania = m. por falsificação.
Quenomania = m. por gansos.
Queromania* = m. de euforia mórbida.
Quetomania = m. por cabeleira...
Quiromania = m. de masturbação...
Rafidomania = m. por agulhas.
Rodomania = m. por rosas.
Rombomania = m. por losangos
Sacaromania = m. por açúcares, doces...
Sarcomania = m. por carne.
Sauromania = m. por lagartos.
Selenomania = m. pela lua, o luar...
Sicomania = m. por figo (a fruta).
Sideromania = m. por ferro.
Sigilomania = m. de segredo.
Sitiomania* = m. por alimentos.
Sitomania = m. por trigo.
Sofomania* = m. de passar por sábio.
Talassomania = m. pelo mar.
Tanatomania* = m. de morte.
Taquimania = m. de pressa, rapidez...
Taumatomania = m. de milagre.
Tauromania = m. por touros...
Tautomania = m. de repetição...
Taximania = m. de ordem, organização.
Tecamania = m. de urna, de cofre...
Tecnomania = m. de arte...
Tefromania = m. por cinzas.
Teomania* = m. por deuses.
Teratomania = m. por monstros.
Termomania = m. por quentura.
Tifomania* = m. própria do tifo.
Tipomania* = m. de publicar trabalhos.
Tireomania = m. por escudos.
Toxicomania* = m. por tóxicos.
Traquelomania = m. por pescoço.
Tricoptilomania * = m. de arrancar cabelos.
Uranomania = m. pelo firmamento, céu.
Uteromania* = m. de forte desejo sexual na mulher.
Xantomania = m. pela cor amarela.
Xenomania* = m. pelo estrangeiro.
Xilomania = m. por madeira.
Zeomania = m. por fervura.
Zigomania = m.. por coisas pares, por par.
Zitomania = m. de cerveja, bebida fermentada.
Zoomania* = mania por animais.
(Do BLOG: hermínio-bezerra.blogspot.com).
1) A palavra “numismata”, do grego νόμισμα = moeda, etimologicamente deveria ser “nomismata”.

sabato 3 aprile 2010

O Acordo Ortográfico e a acentuação

• Trema: Não se usa mais o trema na letra u, para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que e qui: aguentar, arguir, frequência, tranquilo, lingüiça; mas o trema permanece nas palavras estrangeiras e em suas derivadas: Müller, mülleriano, Hübner, hübneriano, Bündchen.
• Ditongos abertos EI e OI de palavras paroxítonas: Não se usa mais o acento nos ditongos abertos tônicos EI e OI de palavras paroxítonas: ideia, colmeia, apoia, celuloide, mas continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em ÉIS, ÉU(S), ÓI(S): fiéis, papéis, troféu, herói.
• I e U tônicos depois de ditongos em palavras paroxítonas: Não se acentuam mais I e U tônicos que aparecem depois de um ditongo em palavras paroxítonas: baiuca, feiura, mas continuam a ser acentuadas as oxítonas com I e U na posição final depois de um ditongo: Piauí, teiú, tuiuiú.
• Palavras terminadas em EEM e OO(S): Não se usa mais o acento circunflexo: leem, creem, doo, enjoo, voos.
• Não se usa mais o acento diferencial em membros de alguns pares: para, pela, pelo, polo, pera, forma (opcional, para conferir clareza à frase), mas permanece o acento diferencial nos pares: pôde / pode, pôr / por, têm / tem, vêm / vem; derivados de ter e vir (mantém / mantêm, convém / convêm, detém / detêm).
• Presente do indicativo e do subjuntivo de arguir, redarguir: Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas rizotônicas do presente do indicativo e do subjuntivo: arguo, arguis, argui, arguem, argua, arguas, argua, arguam.

Zacharias Bezerra de Oliveira

venerdì 26 marzo 2010

O hífen nas formações por prefixação, recomposição e sufixação

A base XVI traduz uma série de situações nas quais se utiliza e não se utiliza o hífen. Abaixo, de forma sucinta, está a mostra do que diz este tópico do Acordo Ortográfico, que pode ser acompanhado com numerosos exemplos no livro Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O livro está disponível na Banca Shopping, Praça Portugal, em Fortaleza, ou pelo telefone (85) 3257-9583.

USA-SE O HÍFEN

Nas formações com os prefixos: ante-, anti-, circum-, co-, contra-, entre-, extra-, hiper-, infra-, intra-, pós-, pré-, pró-, sobre-, sub-, super-, ultra- etc. e também em formações por recomposição, com elementos autônomos/autónomos ou falsos prefixos de origem grega e latina: aero-, agro-, arqui-, auto-, bio-, eletro-, geo-, hidro-, inter-, macro-, maxi-, micro-, mini-, multi-, neo-, pan-, pluri-, proto-, pseudo-, retro-, semi-, tele- etc. somente nos seguintes casos:

a) Quando o segundo elemento começa por h:
b) Nas formações em que o prefixo termina com a mesma vogal com que se inicia o segundo elemento:
c) Nas formações com os prefixos circum-, e pan-, quando o segundo elemento começa com vogal, m ou n (além de h, caso visto na alínea a).
d) Nas formações com circum- e pan-, segundo elemento iniciado por vogal m, n ou h.

circum: circum-adjacente, circum-ambiente, circum-americano, circum-anal, circum-articular, circum-asiático, circum-axial, circum-áxil, circum-escolar, circum-meridiano, circum-mediterrâneo, circum-murado, circum-navegação, circum-natação, circum-oral, circum-orbital, circum-uretral...
pan: pan-africano, pan-americano, pan-árabe, pan-eslavismo, pan-óptico, pan-osteíte, pan-helênico, pan-islâmico, pan-mítico, pan-mixia, pan-negritude, pan-oftalmite, pan-oposição…

Atenção para exceções, nomes em que pan, não é prefixo: Panamá, panapaná, pandear, panifício, panjabi, panléxico, panócio, panorama, panormitana, pancosmismo, pancromático, pandear, pandectista, panglossiano, panleucopenia, panlogismo, panóplia, panqueca, panriar, panromânico, pansofia, pantanal, pantear, panteísmo, panteologia, pantesma, panteísmo, pantodonte, pantofagia, pantofobia, pantografia, pantologia, pantólogo, pantômetro, pantomina, pantomineiro, pantomimice ou pantominice, pantomímico, pantopelágico, pantópode, pantópodo, pantóptero, pantropical, pantufa, pantufada, pantufo, panturra, panturrilha, panurgismo e panzuá.

e) Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super-, quando o segundo elemento começa por r.

Atenção: Com “sub” usa-se o hífen 1 )quando o segundo elemento começa por h. Exemplos: sub-hepático... sub-humano (mas escreve-se subumano, nesse caso, humano perde o “h”). 2) quando o segundo elemento começa pela letra b. Exemplos: sub-base, sub-bibliotecária, sub-bloco, sub-bosque... O Acordo nada diz das palavras compostas com o prefixo “sub” quando o segundo elemento começa por “r”. Mas o VOLP e também o Houaiss grafam com hífen: sub-raça... sub-raiano, sub-ramo... subrendimento, subremunerado, subrepassar, subrepticiamente, subreptício, subroda, subrogação, subrogatório, subrogável, subrostrado, subrotina, subrotundo, subsônico. Há os que pretendem deva-se, no caso da letra “r”, usar o hífen por questão de eufonia: sub-raça, sub-ramo, sub-ramal, sub-ramo... sub-refeitoreiro... sub-região... sub-regular... sub-reino, sub-reitor... sub-remunerado, sub-repassar... sub-repção... sub-rogar... sub-rotina... A mesma observação vale para os prefixos latinos: ab (ab-rogabilidade...), ad (ad-rogação... ad-rogar...), ob (ob-rogação...)e sob (sob-roda). E mais, para estes últimos prefixos o VOLP marca: ad-digital (com hífen), mas escreve: addisoniano, addisonismo, addisonista e addisonístico (sem hífen).

f) Nas formações com ex- (estado anterior ou cessamento), sota-, vice-, e vizo-.
g) Nas formações com prefixos tônicos/tónicos acentuados graficamente pós-, pré- e pró-, quando o segundo elemento tem vida à parte.
h) Os dois prefixos relativamente quase não usados: “ab” e “ob” exigem o hífen em algumas palavras:

ab: ab-reação, ab-reagir... ab-reptício, ab-repto, ab-rogabilidade, ab-rogação, ab-rogador, ab--rogamento, ab-rogar... ab-rogatário, ab-rogativo, ab-rogatório, ab-rogável, ab-rompido, ab- -rupção, ab-ruptado, ab-ruptela, (mas também abrutela), ab-ruptinérveo, ab-ruptipenado, ab- -rupto (mas também abrupto), ab-ruptude...
ob: ob-repção, ob-reptício, ob-ringente, ob-ringenifloro, ob-ringentiforme, ob-rogação, ob- -rogar... ob-rogativo, obrogável...

Atenção: Não se usa hífen em palavras que contêm os prefixos des- e in-, nas quais o segundo elemento perdeu o h inicial: desumano, desumanidade, inábil, inabilidade, inumano... A palavra subumano também perdeu o “h” do elemento humano.

NÃO SE UTILIZA O HÍFEN

a) Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, sendo que essas consoantes são duplicadas: antessacristia, antessala, antessalão, antessentir, antessocrático, ecossistemas...

anti: antirrábico, antirracional, antirracismo, antirracista, antirradiação,

Atenção: Existem palavras em que o “anti”, não é prefixo: antiguano (de Antígua), antiguidade, antiquado, antiquário, antílope, antirrino (planta da família das escrofulariáceas nativa da península ibérica), antipasto (pé métrico da poesia Greco-latina) antiste etc. O Acordo nada diz sobre palavras de origem estrangeira começadas com “s” + consoante. Nestes casos, não há razão para duplicar o “s”. Ex.: antiskate, antiskinhead, antislalom, antislide, antislogan, antislip, antislot, antismog, antismatch, antismoking, antismörgasbord, antisnach-bar, antisnipe, antispam...

Atenção para: surrealismo.

b) Quando o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente.

ortoidrogênio/ortoidrogénio (é uma forma possível, mas se for com “h” tem hífen)...

Atenção: Com prefixos terminados em consoante como: hiper, inter, super... não se usa o hífen quando o segundo elemento começa com vogal: hiperacidez, hiperativo, hiperirritado... interescolar, interestadual, interestudantil... superamigo, superinfecção/ superinfeção, superinteressante, superaquecimento, superexigente, superotimista...

USA-SE O HÍFEN

Nas formações por sufixação usa-se o hífen apenas nas palavras com sufixo de origem tupi-guarani: se o primeiro elemento acaba em vogal acentuada graficamente:

açu e/ou assu: andá-açu, andirá-açu, cajá-açu, capim-açu, gravatá-açu, ingá-açu, ingá-mirim, jacundá-açu, jará-açu (palmeira), juá-açu, jutaí-açu, manacá-açu, maracujá-açu, tangará-açu, teiú-açu, xué-açu (espécie de sapo)... timbó-açu (árvore), Tomé-Açu (cidade do Pará)... Mas escreve-se numa só palavra, tejuaçu e tejuguaçu.

Exceção para as cidades: Aracatiaçu (CE), Careaçu (MG), Caririaçau (CE), Guapiaçu (SP), Igaraçu (SP), Iguaçu (PR), Ipiaçu (MG); Ipuaçu (SC), Ituaçu (BA), Sapeaçu (BA), Taquaruçu (MG), Turiaçu (MA), Uruaçu (GO).

guaçu: amoré-guaçu, andirá-guaçu, cambará-guaçu, maracanã-guaçu, sabiá-guaçu, tangará- -guaçu, teiú-guaçu, xué-guaçu... Embu-guaçu (SP), ou quando a pronúncia exige a distinção dos dois elementos, como: saíra-guaçu... Faz exceção: nambuguaçu...

Exceção para as cidades: Ibuaçu (CE), Ibuguaçu (CE), Igaraçu (SP), Igarassu (PE), Iguaçu (PR), Ipanguaçu (RN), Ipiaçu (MG), Ipuaçu (SC), Iraguaçu (PE), Itaguaçu (ES), Mandaguaçu (PR), Tanhuaçu (BA), Turiaçu (MA).

mirim: anajá-mirim, cajá-mirim, ingá-mirim, juá-mirim, jupicaí-mirim (erva), japu-mirim, jutaí-mirim (árvore), socó-mirim, tuiu-mirim.

Atenção para as exceções: quatimirim (esquilo florestal), tujumirim (abelha dourada)... E também em nomes de cidade como: Aramirim (MG), Botumirim (MG), Guapimirim (RJ), Ibimirim (PE), Ibuguaçu (CE), Ipaumirim (CE), Ipumirim (SC), Itagimirim (BA), Itaguaçu (ES), Itumirim (MG), Jumirim (SP), Jurumirim (MG), Guaramirim, (SC), Itapemirim (ES), Manhumirim (MG), Paramirim (BA), Parnamirim (RN) e (PE), Peri Mirim (MA) (separado sem hífen), Tarumirim (MG), Umirim (CE) (Provavelmente nem todos sabem que Umirim é = o pequenino, o pequerrucho).

Atenção: Mesmo em nome de cidades existem exceções: Ceará-Mirim (RN), Guajará-Mirim (RO), Itapecuru-Mirim (MA); Moji-Guaçu (SP); Moji-Mirim (SP); Peri-Mirim (MA), Sapucaí-Mirim (MG)... É possível também encontrar alguns desses nomes unidos como, Itapecurumirim, Mojiguaçu ou Mojimirim. A palavra “Moji” vem do tupi e significa “rio das cobras”, não confundir com o prefixo grego “mógi/mógis” que você pode ver no Suplemento I do livro Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Atenção: usa-se também o hífen para unir duas ou mais palavras contextualmente combinadas: Liberdade-Igualdade-Fraternidade, a ponte Rio-Niteroi, a corrida Paris-Dakar, a conexão Amã-Bagdá-Berirute, o eixo Roma-Berlim-Tóquio, o império Austro-Húngaro, a roleta-russa, o salário-base, o salário-família, a segunda-feira, o fator sócio-cultural, o sossega-leão, a vaca-leiteira, Xique-Xique (cidade da Bahia) etc.

Zacharias Bezerra de Oliveira

venerdì 19 marzo 2010

Magri e o neologismo “imexível”

O ex-sindicalista Antônio Rogério Magri, nascido em Guarulhos, São Paulo, a 26 de outubro de 1940, foi ministro do Trabalho durante o governo Fernando Collor de Mello. Magri foi eleito presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo para o período de 1978 a 1990. Em maio de 1989 foi eleito presidente da Central Geral dos Trabalhadores (CGT). Essa posição de destaque na CGT e o apoio pessoal durante a campanha, fizeram com que, após a vitória eleitoral, ele fosse chamado a compor a lista de ministros do novo governo. Envolvido nas acusações de corrupção que atingiram todo o entorno de Collor, Magri foi acusado de ter recebido 30 mil dólares. Foi demitido em janeiro de 1992, afastando-se definitivamente da política e do sindicalismo atuante. O principal feito de Magri em sua passagem pelo Ministério, além da pecha de ter sido acusado de receber propina, foi ter criado um neologismo na década de 1990, quando se referiu ao plano Collor (plano econômico do governo Collor) como sendo "imexível".

Embora o ex-ministro Magri tenha sido criticado pelas elites e pela mídia ao dizer que o Plano Collor era “imexível”, sabe-se que esta palavra poderia existir perfeitamente no léxico da língua portuguesa. Veja também outros exemplos de neologismos criados na história e como se dá o processo de criação de novas palavras.

NEOLEXIA

Utilizando sufixos, prefixos e termos gregos e latinos, bem como os elementos de outras línguas, qualquer um pode “criar” novas palavras. A palavra “criar” não deve ser confundida com inventar. Pode-se inventar um neologismo grotesco, ilógico e sem nenhum sentido. Mas o que se propõe é um trabalho intelectual e criterioso de combinação de elementos léxicos, como prefixos e sufixos, dentro de uma lógica que dá sentido à nova palavra criada. A neolexia, do grego neo = novo, + lexia, de lexis = palavra, é uma parte da linguística que trata da criação de palavras. Você pode não se tornar um destacado neologista, mas poderá, com este exercício, passar a melhor compreender neologismos encontrados e a decifrar palavras clássicas de raro uso, à primeira vista, incompreensíveis, mas que podem ser decifradas a partir da separação dos elementos de que se compõem. O que, às vezes, não é tão difícil, mas implica em certo conhecimento e reflexão. A neolexia que também é chamada onomaturgia = trabalho de fazer nomes, é uma atividade antiquíssima. Platão em Crátilo, já faz referência a ela, dizendo ser uma arte cada vez mais raramente encontrável entre os homens.

Palavras criadas por escritores clássicos e modernos

Foram muitos os escritores clássicos e modernos que criaram palavras. Homero, de tão embevecido com o belo amanhecer na Grécia, escreveu: “Quando apareceu a filha da manhã, a Aurora rododáctila...” (Ilíada 1,477 e Odisseia 2,1) et passim. Nesse trecho ele cria o termo “rododáctila”, unindo as palavras: “rodos” = rosa + dáctilo = dedo. Portanto ele antropomorfiza Eo, a deusa da aurora, simbolizando-a na rosada mão aberta, fazendo desaparecer as trevas e trazendo o tom rosáceo, prenúncio da luz de um novo e lindo dia. Artistóteles em sua Retórica (1405 b) usa o termo e faz um acurado comentário sobre a beleza, a correção e a exatidão que o mesmo encerra. A Homero, também é atribuído um neologismo grego surgido no seu tempo, numa obra em forma de paródia intitulada: Batracomiomaquia. Esse termo é a simples junção de três nomes: Batráko+mio+maquia = “Batalha das rãs com os ratos”. A autoria nunca foi provada. É bom saber que o termo “mio” em grego, tem um homônimo que é “músculo”.

O escritor francês, François Rabelais *1494+1553, em Pantagruel, criou o personagem Panúrgio, nome composto de pan = tudo, mais urgio, de ergon = trabalho. O termo tem o sentido de esperto, malino, impossível... Panúrgio comprou caro o carneiro mais velho do rebanho de seu desafeto e ato contínuo, jogou-o no mar. Imediatamente todo o rebanho precipitou-se atrás dele. O inimigo perdeu seu rebanho. Por associação pode-se entender as palavras com mesmo final como: cirurgia, dramaturgia, liturgia, meliturgia, metalurgia. mineralurgia, siderurgia, taumaturgia... O economista francês Jean-Claude M. Vincent *1712+1759, em um momento de luminosa inspiração “criou” a palavra: bureaucratie, que é a união da palavra francesa “bureau” = mesa com a palavra grega “cracia” = poder. Em português transformou-se em “burocracia”. Esta foi uma palavra muito bem aceita em todas as línguas ocidentais , o que demonstra ser este um problema universal. Esta palavra é uma feliz criação, pois retrata exatamente o que a burocracia representa: “o poder da mesa”. O sujeito senta-se atrás de uma mesa e tome ordens, exigências para chatear as pessoas... Aqui entre nós brasileiros esta palavra, às vezes, é também traduzida como “burrocracia”, em uma clara alusão de que seriam medidas tomadas por pessoas com poder, mas pouca inteligência.

No início dos anos 60 os russos criaram a palavra “cosmonauta” (que pela nova grafia pode ser “kosmonauta”, pois vem do grego kosmós = universo). No auge da guerra fria, os americanos, “revidaram” criando a palavra “astronauta”. Hoje as duas palavras são usadas igualmente. Em maio de 1998, quando os chineses começaram a explorar o espaço sideral. O chinês Chiew Lee Yih teve a ideia de “criar” um novo nome para designar “um chinês navegando no espaço”. Ele concebeu a palavra “taikonauta”, que é a junção de “taikong” = espaço em chinês (mandarino) + a palavra grega e também latina, “nauta”. É por isso que um chinês navegando no espaço não é um argonauta, não é um kosmonauta, nem um astronauta, mas sim, um “taikonauta”. E a palavra tem tudo para entrar no uso comum mesmo no ocidente.

O escritor palestino Imil Habibi *1922+1996, em livro publicado em 1974, “criou” o termo “pessotimista” com que designa uma pessoa que está num dilema entre o pessimismo e o otimismo, ou que avaliando a realidade concreta gostaria de ser otimista, mas o pessimismo barra-o a meio caminho. O livro foi traduzido para o espanhol e a palavra “pesoptimista” (em espanhol) bastante discutida e utilizada na década de 1990 na Espanha e em países de língua hispânica. O escritor indiano Jairam Ramesh, em 2005, publicou o livro Making Sense of Chindia, (India Research Press, Bangalore). Ele refere-se a um possível novo país CHINDIA, que seria a fusão da China com a Índia, cujos cidadãos seriam os “chindianos”. Esse país com o “software” da Índia e o “hardware” da China desequilibraria o mercado mundial da informática e periféricos.

Exemplos

01 – Os bebês são galactófagos, já os bisavós, em geral, tendem a ser galactófugos.
02 – Quase toda modelo, quando não sofre de anorexia, sofre de mogiorexia.
03 – Os anacoretas do deserto da Núbia eram austeros oligólogos.
04 – Hoje são muito poucos os países do mundo nos quais ainda existem cinódromos.
05 – A ablutomania é uma prática comum das pessoas escrupulosas para livrar-se da culpa.
06 – O candidato, antes das eleições, é um perfeito demófilo, depois das eleições, nem tanto.
07 – Jânio Quadros, um notório alectorófobo, enquanto presidente, proibiu a alectoromaquia.
08 – Os oncologistas aconselham aos habitantes das regiões equatoriais a serem heliófugos.
09 – A incomensurável filarquia dos ditadores, quase sempre, leva-os a cometer excessos.
10 – A moça era dotada de notável eutaxia, mas as amigas levaram-na a optar pela anarquia.
11 – A televisão promoveu uma verdadeira logomaquia entre os candidatos a presidente.
12 – De notória politopia, como era da família Pontes, apelidaram-no de “Saulo Ponteaérea”.
13 – Na Semana Santa, a perigosa piromaquia é a grande atração de Cruz das Almas (BA).
14 – A luta entre as religiões era tão acirrada, que um ateu sugeriu a criação de um teódromo.
15 – Após a lida diária vem a noite e o sertanejo extasia-se com a bela visão da panselene.
16 - A magreza, forma de beleza imposta pelos estilistas, exige que toda modelo seja lageniforme.

Solução

01 – Galactó, = leite, +fagos =beber; galató, = leite + fugos = que evita, foge.
02 – Anorexia = falta de apetite; mogiorexia = dificuldade para se alimentar.
03 – Oligólogo = de olígos, i. é, pouco + logos = palavra. (Eram silenciosos).
04 – Cinódromo = de cynos, i. é, cachorro + dromo= local de corrida.
05 – A ablutomania é a prática obsessiva de lavar as mãos. Do verbo latino abluere = lavar.
06 – Demófilo, de demos = povo, + filo = amigo.
07 – Alectorófobo, de aléctoro = galo, + fobo = medo; alectoromaquia, maquia = briga.
08 – Heliófugos, de hélios = sol, + fugo, do verbo grego, phugô = fugir.
09 – Filarquia, de phílos = amigo, + arquia de arxé = poder.
10 – Éutaxia, de eu = bem, + taxia = ordem; anarquia, de an = privativo, + arquia = norma, lei...
11 – Logomaquia, logos = palavra, + maquia = combate. (Guerra de palavras).
12 – Politopia, de poli = muitos, múltiplos + topos = lugares. (Que visita muitos países).
13 – Piromaquia, de píro = fogo, + maquía = combate. (Luta com fogos de artifício).
14 – Teódromo, de Téo = Deus, + drômo = lugar de corrida. No caso, corrida dos deuses.
15 – Panselene, de pan = total, + selene = lua. (A visão da lua cheia).
“Criar” palavras
16 - Lageniforme, de lágenos = garrafa, em grego,no sentido figurado = fina, magra.
E essa palavra já está no VOLP 2009. Não é criação minha, só uso e divulgação.

“É preferível ensinar o necessitado a pescar a dar-lhe o peixe já pescado”. Agora, você agora já está preparado para criar suas próprias palavras. Divididos em grupos, façam uma busca de prefixos e sufixos latinos e gregos e, agregando os termos de outras línguas de que muitos são conhecedores, tentem “criar” novos nomes compreensíveis, lógicos e aceitáveis. Sugere-se a realização de uma “tempestade de ideias” (brainstorming) para trazer à luz as palavras que se quer e são viáveis de serem criadas. A participação do professor e de pessoas bem informadas em literatura e em línguas clássicas é importante neste processo de criação. É muito importante a participação de todos no processo de criação. Cada um tem a sua contribuição a dar. Não existe opinião que possa ser considerada boba ou que seja logo descartada. Por isso, solte as amarras, extravase, jogue fora a timidez e dê sua opinião. A hora de falar é no momento da criação, quando se realiza a tempestade de ideias. Caso não esteja conseguindo falar, levante o braço, que o professor (moderador) dar-lhe-á voz. Você também pode realizar esse processo sozinho.

O livro Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, disponível em Fortaleza na Banca Shopping, na Praça Portugal, traz uma lista com 66 prefixos e sufixos latinos e gregos e 247 elementos gregos usados nas ciências e nas artes para ajudar no processo de criação de palavras, além de tantos outros exercícios interessantes sobre o Acordo e outros temas referentes ao estudo da nossa língua. O livro também poderá ser pedido por reembolso ou pelo telefone (85) 32579583.

Zacharias Bezerra de Oliveira

martedì 9 marzo 2010

Não se usa mais o hífen

Como prometemos na semana passada, hoje falaremos sobre o hífen. Mas, dessa vez, com as palavras que não são usadas com hífen porque deixaram de sê-lo, ou porque nunca foram com hífen; tudo isso, ainda, segundo a Base XV do Acordo Ortográfico. Vamos lá.
Uma boa parte dos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, é grafada aglutinadamente. É o caso da autopromoção, biossatélite, bissemanal e cooperação. Nesta última palavra, aglutinada, verifica-se que não vale a regra que manda separar por hífen palavras compostas cuja letra final do primeiro termo é a mesma do segundo (Base XVI, item 1b).
Desumano, entressafra, fitossanitário, girassol, hidroelétrica, interação, maldito, neoclássico, onipresente, paraquedas, quadrimestre, reassumir, suboficial, turborreator, ultrarreacionário, videoteipe e zoofilia. Atente que algumas palavras, nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, perderam o hífen, sendo essas consoantes duplicadas. (Base XVI, 2a).

Muitos gentílicos têm formação atípica. Alguns exemplos. Quem nasce em:

Ambráquia/Ambrákia (Grécia) é embraquista.
Aname, região do Vietnam, fronteira com a Conchinchina, é anamita.
Artois, norte da França, é artesiano.
Bordeus, França, é bordalês ou bordalense.
Cádis, Espanha, é gaditano.
Caridade, Ceará, é caritense. (Deriva de “caritas” = caridade, em latim).
Chipre, ilha da Grécia, é cipriota.
Corfu/Korfu, ilha da Grécia, é corfiota.
Cita, antiga cidade da Grécia, é citeu.
Coração de Maria (BA) é cordimariano.
Córsega, ilha da França, é corso.
Épiro (Grécia) é epirota.
Flanates, região da Ilíria, hoje Bósnia e Croácia, é flanático.
Freixo de Espada à Cinta, cidade do norte de Portugal, é freixenista.
Jerusalém, Israel, é hierosolimitano.
Macau (Índia) é macaísta.
Madagascar é malgaxe.
Palermo, Sicília, no sul da Itália, é panormitano.
Porto Alegre é portoalegrense.
Rio Acima (MG) é rioacimense.
Rio Azul (PR) é rioazulino/rioazulense.
Rio de Janeiro é fluminense ou carioca.
Rio das Antas (SC) é rioantense.
Rio de Onor, Portugal, é rionorês, que faz o feminino: rionoresa.
Riolândia (SP) é riolandense ou riolandino.
Saboia, nordeste da França, é saboriano.
Salvador (BA) é soteropolitano. Palavra vem do grego, sotér = salvador.
São Luis do Maranhão se chama ludovicense, de Ludovicus = Luis.
São Paulo (Capital) é paulistano.
Santarém, Portugal, é escalabitano, de Escálabis, antigo nome da cidade.
Sardenha é sardo. Ilha faz parte da Itália, mas tem língua própria.
Sibaris (Magna Grécia/Itália) é sibarita.
Três Corações (MG) é tricordiano. É o caso do jogador brasileiro Pelé.
Tristão da Cunha é tristanista.
Tutoia (MA), é tutoiano.
Zanzibar (ilha da Tanzânia) é zanzibarista.

Não se usa mais o hífen nas locuções da preposição “de” com as formas monossilábicas do verbo haver: hei de, hás de, há de, heis de, hão de; nas locuções de qualquer tipo, sejam substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas, conjuncionais ou verbais: pau a pau, pau a pique, ponto e vírgula, rosa dos ventos, toma lá dá cá, por do sol, por de sol...
Substantivas. Duas ou mais palavras funcionam como um substantivo: abraço de paz, bafo de onça, cabeça de bagre, dia a dia, espírito de porco, faz de conta, gota de água, homem de palavra, idas e vindas, jardim de infância, língua de trapos, mãe de santo, nariz de cera, olho de sogra, pai de santo, quadro a quadro, rabo de cavalo, sala de jantar, terra sem lei, unha de gato, vinho de maçã, Zé dos anzóis, xixi de anjo. Atenção para os compostos já consagrados: água-de-colônia/colónia, arco-da-velha, mais-que-perfeito, cor-de-rosa, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa...
Adjetivas. Há na expressão duas ou mais palavras em que a primeira é, em geral, preposição com função de adjetivo: a cântaros, a esmo, a galope...
Pronominais. Quando o conjunto de duas ou mais palavras equivale a um pronome: cada um, ele próprio, nós mesmos, quem quer que seja...
Adverbiais. Quando duas ou mais palavras, sendo a primeira preposição, funcionam como advérbio: à baila, à beça, a bel prazer, a calhar, a cântaros...
Prepositivas. Quando se dá a reunião de duas ou mais palavras que funcionam como uma preposição: abaixo de, acerca de, acima de, a fim de... à cata de, à custa de, a despeito de, à espera de, à maneira de, a modo de, a par de, a ponto de, a poucos passos de...
Conjuncionais. Quando duas ou mais palavras funcionam como uma conjunção: a fim de que, ao passo que, contanto que, logo que...
A partícula “ré” não tem qualquer uso de hífen. A partícula “reto” só tem hífen em reto-romance, reto-românica e reto-romano e a partícula “retro” só tem hífen nas palavras retro-oclusão, retro-ocular, retro-operar, retro-ovárico.

Zacharias Bezerra de Oliveira