Tenho recebido de vários leitores indagações sobre o que é afinal a língua-padrão, termo que começou a circular fora do meio acadêmico. É diferente de norma culta? Trata-se de sinônimos?
Quando acessam a internet e buscam uma página como o Língua Brasil para solucionar dúvidas, os consulentes – que já falam e escrevem português cotidianamente – desejam ampliar seu capital linguístico obtendo conhecimentos que estejam de acordo com a modalidade de língua chamada padrão ou culta. Por isso achei oportuno trazer essa questão a discussão neste espaço semanal. Procurarei fazê-lo em linguagem o menos possível acadêmica e acessível aos leitores interessados.
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Mesmo que não se mencione terminologia específica, é evidente que se lida no dia a dia com níveis diferentes de fala e escrita. É também verdade que as pessoas querem “falar e escrever melhor”, querem dominar a língua dita culta, a correta, a ideal, não importa o nome que se lhe dê.
O padrão de língua ideal a que as pessoas querem chegar é aquele convencionalmente utilizado nas instâncias públicas de uso da linguagem, como livros, revistas, documentos, jornais, textos científicos e publicações oficiais; em suma, é a que circula nos meios de comunicação, no âmbito oficial, nas esferas de pesquisa e trabalhos acadêmicos.
***
Não obstante, os linguistas entendem haver uma língua circulante que é correta mas diferente da língua ideal e imaginária, fixada nas fórmulas e sistematizações da gramática. Eles fazem, pois, uma distinção entre o real e o ideal: a língua concreta com todas suas variedades de um lado, e de outro um padrão ou modelo abstrato do que é “bom” e “correto”, o que conformaria, no seu entender, uma língua artificial, situada num nível hipotético.
Para os cientistas da língua, portanto, fica claro que há dois estratos diferenciados: um praticamente intangível, representado nas normas preconizadas pela gramática tradicional, que comporta as irregularidades e excrescências da língua, e outro concreto, o utilizado pelos falantes cultos, qual seja, a “linguagem concretamente empregada pelos cidadãos que pertencem aos segmentos mais favorecidos da nossa população”, segundo Marcos Bagno (A norma oculta: língua e poder na sociedade brasileira. SP: Parábola, 2003, p.51).
Convém esclarecer que para a ciência sociolinguística somente a pessoa que tiver formação universitária completa será caracterizada como falante culto (urbano).
Sendo assim, como são presumivelmente cultos os sujeitos que produzem os jornais, a documentação oficial, os trabalhos científicos, só pode ser culta a sua linguagem, mesmo que a língua que tais pessoas falam e os textos que produzem nem sempre se coadunem com as regras rígidas impostas pela gramática normativa, divulgada na escola e em outras instâncias (de repressão linguística) como o vestibular.
Isso é o que pensam os linguistas. E o povo – saberá ele fazer a distinção entre as duas modalidades e os dois termos que as descrevem?
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros 'Só Vírgula', 'Só Palavras Compostas' e 'Língua Brasil – Crase, pronomes & curiosidades' - www.linguabrasil.com.br
venerdì 4 febbraio 2011
giovedì 3 febbraio 2011
Você" ou "Doutor"? Ou seria Vossa Excelência?
LEMBRAM DO JUIZ QUE ENTROU NA JUSTIÇA CONTRA O CONDOMÍNIO EM QUE MORA, POR CAUSA DO TRATAMENTO DE "'VOCÊ" DADO PELO PORTEIRO?
POIS É, SAIU A SENTENÇA, LEIAM ABAIXO.
OBSERVEM A BELA REDAÇÃO, BEM ARGUMENTADA, ATÉ SOLIDÁRIA DO JUIZ ALEXANDRE EDUARDO SCISINIO PARA COM O JUIZ QUE SE QUEIXA, MAS....
UMA VERDADEIRA AULA DE DIREITO E DE PORTUGUÊS!
Processo distribuido em 17.02.2005
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - COMARCA DE NITERÓI - NONA VARA CÍVEL
9º vara cívil de Niterói - RJ
Processo n° 2005.002.003424- 4
S E N T E N Ç A
Cuidam-se os autos de ação de obrigação de fazer manejada por ANTONIO MARREIROS DA SILVA MELO NETO contra o CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO LUÍZA VILLAGE e JEANETTE GRANATO, alegando o autor fatos precedentes ocorridos no interior do prédio que o levaram a pedir que fosse tratado formalmente de "senhor".
Disse o requerente que sofreu danos, e que esperava a procedência do pedido inicial para dar a ele autor e suas visitas o tratamento de ' Doutor, senhor" "Doutora, senhora", sob pena de multa diária a ser fixada judicialmente, bem como requereu a condenação dos réus em dano moral não inferior a 100 salários mínimos. (...)
DECIDO: "O problema do fundamento de um direito apresenta-se diferentemente conforme se trate de buscar o fundamento de um direito que se tem ou de um direito que se gostaria de ter." (Noberto Bobbio, in "A Era dos Direitos", Editora Campus, pg. 15).
Trata-se o autor de Juiz digno, merecendo todo o respeito deste sentenciante e de todas as demais pessoas da sociedade, não se justificando tamanha publicidade que tomou este processo.
Agiu o requerente como jurisdicionado, na crença de seu direito. Plausível sua conduta, na medida em que atribuiu ao Estado a solução do conflito.
Não deseja o ilustre Juiz tola bajulice, nem esta ação pode ter conotação de incompreensível futilidade. O cerne do inconformismo é de cunho eminentemente subjetivo, e ninguém, a não ser o próprio autor, sente tal dor, e este sentenciante bem compreende o que tanto incomoda o probo Requerente.
Está claro que não quer, nem nunca quis o autor, impor medo de autoridade, ou que lhe dediquem cumprimento laudatório, posto que é homem de notada grandeza e virtude. Entretanto, entendo que não lhe assiste razão jurídica na pretensão deduzida.
"Doutor" não é forma de tratamento, e sim título acadêmico utilizado apenas quando se apresenta tese a uma banca e esta a julga merecedora de um doutoramento. Emprega-se apenas às pessoas que tenham tal grau, e mesmo assim no meio universitário. Constitui-se mera tradição referir-se a outras pessoas de 'doutor', sem o ser, e fora do meio acadêmico.
Daí a expressão doutor honoris causa - para a honra -, que se trata de título conferido por uma universidade à guisa e homenagem a determinada pessoa, sem submetê-la a exame.
Por outro lado, vale lembrar que "professor" e "mestre" são títulos exclusivos dos que se dedicam ao magistério, após concluído o curso de mestrado. Embora a expressão "senhor" confira a desejada formalidade às comunicações - não é pronome -, e possa até o autor aspirar distanciamento em relação a qualquer pessoa, afastando intimidades, não existe regra legal que imponha obrigação ao empregado do condomínio a ele assim se referir.
O empregado que se refere ao autor por "você", pode estar sendo cortês, posto que "você" não é pronome depreciativo. Isso é formalidade, decorrente do estilo de fala, sem quebra de hierarquia ou incidência de insubordinação. Fala-se segundo sua classe social. O brasileiro tem tendência na variedade coloquial relaxada, em especial a classe "semi-culta" , que sequer se importa com isso.
Na verdade "você" é variante - contração da alocução - do tratamento respeitoso "Vossa Mercê". A professora de linguística Eliana Pitombo Teixeira ensina que os textos literários que apresentam altas freqüências do pronome "você", devem ser classificados como formais. Em qualquer lugar desse país, é usual as pessoas serem chamadas de "seu" ou "dona", e isso é tratamento formal.
Em recente pesquisa universitária, constatou-se que o simples uso do nome da pessoa substitui o senhor/a senhora e você quando usados como prenome, isso porque soa como pejorativo tratamento diferente. Na edição promovida por Jorge Amado "Crônica de Viver Baiano Seiscentista", nos poemas de Gregório de Matos, destacou o escritor que Miércio Táti anotara que "você" é tratamento cerimonioso. (Rio de Janeiro, São Paulo, Record, 1999).
Urge ressaltar que tratamento cerimonioso é reservado a círculos fechados da diplomacia, clero, governo, judiciário e meio acadêmico, como já se disse. A própria Presidência da República fez publicar Manual de Redação instituindo o protocolo interno entre os demais Poderes. Mas na relação social não há ritual litúrgico a ser obedecido. Por isso que se diz que a alternância de "você" e "senhor" traduz-se numa questão sociolingüística, de difícil equação num país como o Brasil de várias influências regionais.
Ao Judiciário não compete decidir sobre a relação de educação, etiqueta, cortesia ou coisas do gênero, a ser estabelecida entre o empregado do condomínio e o condômino, posto que isso é tema interna corpore daquela própria comunidade.
Isto posto, por estar convicto de que inexiste direito a ser agasalhado, mesmo que lamentando o incômodo pessoal experimentado pelo ilustre autor, julgo improcedente o pedido inicial, condenando o postulante no pagamento de custas e honorários de 10% sobre o valor da causa. P.R.I. Niterói, 2 de maio de 2005.
ALEXANDRE EDUARDO SCISINIO /Juiz de Direito/
NÃO É QUE, NESTE PAÍS AINDA EXISTEM JURISTAS HONRADOS E CULTOS?
Nem tudo está perdido...
POIS É, SAIU A SENTENÇA, LEIAM ABAIXO.
OBSERVEM A BELA REDAÇÃO, BEM ARGUMENTADA, ATÉ SOLIDÁRIA DO JUIZ ALEXANDRE EDUARDO SCISINIO PARA COM O JUIZ QUE SE QUEIXA, MAS....
UMA VERDADEIRA AULA DE DIREITO E DE PORTUGUÊS!
Processo distribuido em 17.02.2005
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - COMARCA DE NITERÓI - NONA VARA CÍVEL
9º vara cívil de Niterói - RJ
Processo n° 2005.002.003424- 4
S E N T E N Ç A
Cuidam-se os autos de ação de obrigação de fazer manejada por ANTONIO MARREIROS DA SILVA MELO NETO contra o CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO LUÍZA VILLAGE e JEANETTE GRANATO, alegando o autor fatos precedentes ocorridos no interior do prédio que o levaram a pedir que fosse tratado formalmente de "senhor".
Disse o requerente que sofreu danos, e que esperava a procedência do pedido inicial para dar a ele autor e suas visitas o tratamento de ' Doutor, senhor" "Doutora, senhora", sob pena de multa diária a ser fixada judicialmente, bem como requereu a condenação dos réus em dano moral não inferior a 100 salários mínimos. (...)
DECIDO: "O problema do fundamento de um direito apresenta-se diferentemente conforme se trate de buscar o fundamento de um direito que se tem ou de um direito que se gostaria de ter." (Noberto Bobbio, in "A Era dos Direitos", Editora Campus, pg. 15).
Trata-se o autor de Juiz digno, merecendo todo o respeito deste sentenciante e de todas as demais pessoas da sociedade, não se justificando tamanha publicidade que tomou este processo.
Agiu o requerente como jurisdicionado, na crença de seu direito. Plausível sua conduta, na medida em que atribuiu ao Estado a solução do conflito.
Não deseja o ilustre Juiz tola bajulice, nem esta ação pode ter conotação de incompreensível futilidade. O cerne do inconformismo é de cunho eminentemente subjetivo, e ninguém, a não ser o próprio autor, sente tal dor, e este sentenciante bem compreende o que tanto incomoda o probo Requerente.
Está claro que não quer, nem nunca quis o autor, impor medo de autoridade, ou que lhe dediquem cumprimento laudatório, posto que é homem de notada grandeza e virtude. Entretanto, entendo que não lhe assiste razão jurídica na pretensão deduzida.
"Doutor" não é forma de tratamento, e sim título acadêmico utilizado apenas quando se apresenta tese a uma banca e esta a julga merecedora de um doutoramento. Emprega-se apenas às pessoas que tenham tal grau, e mesmo assim no meio universitário. Constitui-se mera tradição referir-se a outras pessoas de 'doutor', sem o ser, e fora do meio acadêmico.
Daí a expressão doutor honoris causa - para a honra -, que se trata de título conferido por uma universidade à guisa e homenagem a determinada pessoa, sem submetê-la a exame.
Por outro lado, vale lembrar que "professor" e "mestre" são títulos exclusivos dos que se dedicam ao magistério, após concluído o curso de mestrado. Embora a expressão "senhor" confira a desejada formalidade às comunicações - não é pronome -, e possa até o autor aspirar distanciamento em relação a qualquer pessoa, afastando intimidades, não existe regra legal que imponha obrigação ao empregado do condomínio a ele assim se referir.
O empregado que se refere ao autor por "você", pode estar sendo cortês, posto que "você" não é pronome depreciativo. Isso é formalidade, decorrente do estilo de fala, sem quebra de hierarquia ou incidência de insubordinação. Fala-se segundo sua classe social. O brasileiro tem tendência na variedade coloquial relaxada, em especial a classe "semi-culta" , que sequer se importa com isso.
Na verdade "você" é variante - contração da alocução - do tratamento respeitoso "Vossa Mercê". A professora de linguística Eliana Pitombo Teixeira ensina que os textos literários que apresentam altas freqüências do pronome "você", devem ser classificados como formais. Em qualquer lugar desse país, é usual as pessoas serem chamadas de "seu" ou "dona", e isso é tratamento formal.
Em recente pesquisa universitária, constatou-se que o simples uso do nome da pessoa substitui o senhor/a senhora e você quando usados como prenome, isso porque soa como pejorativo tratamento diferente. Na edição promovida por Jorge Amado "Crônica de Viver Baiano Seiscentista", nos poemas de Gregório de Matos, destacou o escritor que Miércio Táti anotara que "você" é tratamento cerimonioso. (Rio de Janeiro, São Paulo, Record, 1999).
Urge ressaltar que tratamento cerimonioso é reservado a círculos fechados da diplomacia, clero, governo, judiciário e meio acadêmico, como já se disse. A própria Presidência da República fez publicar Manual de Redação instituindo o protocolo interno entre os demais Poderes. Mas na relação social não há ritual litúrgico a ser obedecido. Por isso que se diz que a alternância de "você" e "senhor" traduz-se numa questão sociolingüística, de difícil equação num país como o Brasil de várias influências regionais.
Ao Judiciário não compete decidir sobre a relação de educação, etiqueta, cortesia ou coisas do gênero, a ser estabelecida entre o empregado do condomínio e o condômino, posto que isso é tema interna corpore daquela própria comunidade.
Isto posto, por estar convicto de que inexiste direito a ser agasalhado, mesmo que lamentando o incômodo pessoal experimentado pelo ilustre autor, julgo improcedente o pedido inicial, condenando o postulante no pagamento de custas e honorários de 10% sobre o valor da causa. P.R.I. Niterói, 2 de maio de 2005.
ALEXANDRE EDUARDO SCISINIO /Juiz de Direito/
NÃO É QUE, NESTE PAÍS AINDA EXISTEM JURISTAS HONRADOS E CULTOS?
Nem tudo está perdido...
lunedì 31 gennaio 2011
Ensinando aprende-se mais
As pessoas que mais aprendem são as que mais ensinam. Até mesmo a forma como elas buscam o aprendizado é um ensinamento para nós. Quem culpa a falta de tempo por não fazer aquele curso tão importante para sua ascensão profissional talvez não saiba que Lincoln tornou-se advogado estudando sozinho, nas raras horas livres que seu trabalho braçal lhe permitia. Os que afirmam não terem “condições adequadas” para aprender provavelmente ignoram o fato de que Marie Curie arriscou a liberdade e a vida para poder estudar. Os que dizem que “é tarde demais para aprender” possivelmente desconhecem a história de Roberto Marinho. Quem está sempre declarando: “Nunca vou conseguir aprender isso”, talvez começasse a pensar diferente se ouvisse a história de Alcino Neto. E os profissionais preocupados apenas com o conhecimento necessário aos aspectos técnicos de suas carreiras teriam muito a ganhar se pensassem a respeito da máxima de Willard Rockwell: “Desenvolva tanto o homem quanto o gerente”.
Cora Coralina tem uma frase muita sábia: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. É curioso notar ela não diz “ensina o que sabe”, mas, sim, “transfere”. Quem pensa em termos de “ensinar o que sabe” pode estar se colocando na posição de um professor na sala de aula, sem o ser. E, ainda por cima, pode estar se colocando na posição de um mau professor, que se envaidece ao exibir de forma arrogante o conhecimento que acumulou.
Por outro lado, quem transfere o que sabe não está preocupado em “dar lições”, mas em partilhar. Pessoas assim não fazem questão de ser admiradas: fazem questão de ser úteis. Ao transferir o que sabem, elas não estão impondo suas crenças, seus métodos e seus valores aos demais. Os que transferem o que sabem reconhecem e respeitam esse direito, pois entendem que nenhum conhecimento pode ser verdadeiramente assimilado e colocado em prática sem antes ser digerido, elaborado e re-elaborado por aquele que o recebe. Na prática, essa é a diferença entre um chefe de família que obriga os filhos a pensar como ele e um pai que respeita e orienta a forma de pensar dos filhos. É a diferença entre um chefe que obtém resultados medíocres ao impor seus conceitos de modo autoritário e um líder que se compraz ao ver suas idéias florescerem e se desenvolverem ao serem assimiladas por seus funcionários.
A segunda parte da frase de Cora Coralina fala em “aprender o que ensina”. Ao nos colocarmos na posição de ensinarmos alguma coisa, precisamos estar atentos a tudo que ainda podemos aprender com aquilo que achávamos que já sabíamos. Posso citar como exemplo minha própria experiência como palestrante. Por mais que eu conheça o assunto sobre o qual vou falar, por mais que já tenha feito a mesma palestra dezenas de vezes, nunca deixo de aprender alguma coisa nova a cada palestra que dou. A interação com o público, a troca de opiniões, as perguntas e observações que surgem sempre acrescentam algo a mais, sempre somam algo novo àquilo que eu achava que já sabia.
Há uma pequena história que eu costumo contar no início de minhas palestras. Quando minha filha tinha três anos de idade, nós morávamos em uma rua movimentada e perigosa. Cada vez que nosso portão era deixado aberto por algum descuido, minha filha saía correndo e atravessava a rua para chegar à casa de uma amiga que morava na calçada em frente. Preocupados com a situação, eu e minha esposa decidimos ensinar à pequena como atravessar a rua com segurança. Assim, da próxima vez que, aproveitando-se de algum descuido, ela tentasse escapulir, pelo menos estaria sabendo como lidar com os perigos da rua. “Primeiro você para na calçada”, disse-lhe eu. “Depois, olha para cima e para baixo, e só então atravessa”, expliquei. Como a rua era uma ladeira, eu achei que tinha deixado bem claro que os carros poderiam estar subindo ou descendo e que, portanto, era necessário olhar em ambas as direções. Dias depois da lição, minha filha aproveitou-se do fato de que o portão fora acidentalmente deixado aberto e saiu correndo. Fomos atrás dela, mas não conseguimos alcançá-la a tempo. Com o coração apertado eu a vi parar junto ao meio-fio, olhar para o céu, olhar para o chão e atravessar a toda velocidade. Por sorte, nada lhe aconteceu. Mas, passado o susto, minha esposa e eu concluímos que nossa filha havia feito exatamente o que lhe ensinamos: olhou para cima (para o céu), e para baixo (para o chão). Ela entendeu a mensagem de acordo com seu conhecimento e com sua forma de ver o mundo. Nós, por outro lado, a ensinamos da maneira que nos parecia ser a mais óbvia, sem pararmos para pensar de que modo ela poderia estar compreendendo isso.
Nesse exato momento, quantos chefes, gerentes e funcionários mais velhos não estão fazendo o mesmo? Quantos por aí não estão culpando seus colaboradores por “não fazer o que lhes foi ensinado”, sem pararem para pensar que o problema talvez esteja na forma como o ensinamento foi transmitido?
Paulo Kretly, presidente da FranklinCovey Brasil e autor de Deixe um Legado.
Cora Coralina tem uma frase muita sábia: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. É curioso notar ela não diz “ensina o que sabe”, mas, sim, “transfere”. Quem pensa em termos de “ensinar o que sabe” pode estar se colocando na posição de um professor na sala de aula, sem o ser. E, ainda por cima, pode estar se colocando na posição de um mau professor, que se envaidece ao exibir de forma arrogante o conhecimento que acumulou.
Por outro lado, quem transfere o que sabe não está preocupado em “dar lições”, mas em partilhar. Pessoas assim não fazem questão de ser admiradas: fazem questão de ser úteis. Ao transferir o que sabem, elas não estão impondo suas crenças, seus métodos e seus valores aos demais. Os que transferem o que sabem reconhecem e respeitam esse direito, pois entendem que nenhum conhecimento pode ser verdadeiramente assimilado e colocado em prática sem antes ser digerido, elaborado e re-elaborado por aquele que o recebe. Na prática, essa é a diferença entre um chefe de família que obriga os filhos a pensar como ele e um pai que respeita e orienta a forma de pensar dos filhos. É a diferença entre um chefe que obtém resultados medíocres ao impor seus conceitos de modo autoritário e um líder que se compraz ao ver suas idéias florescerem e se desenvolverem ao serem assimiladas por seus funcionários.
A segunda parte da frase de Cora Coralina fala em “aprender o que ensina”. Ao nos colocarmos na posição de ensinarmos alguma coisa, precisamos estar atentos a tudo que ainda podemos aprender com aquilo que achávamos que já sabíamos. Posso citar como exemplo minha própria experiência como palestrante. Por mais que eu conheça o assunto sobre o qual vou falar, por mais que já tenha feito a mesma palestra dezenas de vezes, nunca deixo de aprender alguma coisa nova a cada palestra que dou. A interação com o público, a troca de opiniões, as perguntas e observações que surgem sempre acrescentam algo a mais, sempre somam algo novo àquilo que eu achava que já sabia.
Há uma pequena história que eu costumo contar no início de minhas palestras. Quando minha filha tinha três anos de idade, nós morávamos em uma rua movimentada e perigosa. Cada vez que nosso portão era deixado aberto por algum descuido, minha filha saía correndo e atravessava a rua para chegar à casa de uma amiga que morava na calçada em frente. Preocupados com a situação, eu e minha esposa decidimos ensinar à pequena como atravessar a rua com segurança. Assim, da próxima vez que, aproveitando-se de algum descuido, ela tentasse escapulir, pelo menos estaria sabendo como lidar com os perigos da rua. “Primeiro você para na calçada”, disse-lhe eu. “Depois, olha para cima e para baixo, e só então atravessa”, expliquei. Como a rua era uma ladeira, eu achei que tinha deixado bem claro que os carros poderiam estar subindo ou descendo e que, portanto, era necessário olhar em ambas as direções. Dias depois da lição, minha filha aproveitou-se do fato de que o portão fora acidentalmente deixado aberto e saiu correndo. Fomos atrás dela, mas não conseguimos alcançá-la a tempo. Com o coração apertado eu a vi parar junto ao meio-fio, olhar para o céu, olhar para o chão e atravessar a toda velocidade. Por sorte, nada lhe aconteceu. Mas, passado o susto, minha esposa e eu concluímos que nossa filha havia feito exatamente o que lhe ensinamos: olhou para cima (para o céu), e para baixo (para o chão). Ela entendeu a mensagem de acordo com seu conhecimento e com sua forma de ver o mundo. Nós, por outro lado, a ensinamos da maneira que nos parecia ser a mais óbvia, sem pararmos para pensar de que modo ela poderia estar compreendendo isso.
Nesse exato momento, quantos chefes, gerentes e funcionários mais velhos não estão fazendo o mesmo? Quantos por aí não estão culpando seus colaboradores por “não fazer o que lhes foi ensinado”, sem pararem para pensar que o problema talvez esteja na forma como o ensinamento foi transmitido?
Paulo Kretly, presidente da FranklinCovey Brasil e autor de Deixe um Legado.
sabato 1 gennaio 2011
Educação para todos
Renovam-se as esperanças. Toma posse a nova presidente do Brasil. Ou presidenta, como a senhora Dilma Roussef prefere ser chamada e a língua vernácula aceita com perfeição. Tomam posse os novos 27 governadores ou governadoras dos Estados brasileiros. E um renovado Congresso Nacional assume os seus trabalhos no sentido de ajudar o Brasil a crescer, diminuindo as desigualdades existentes ainda na nossa população. A forma adequada para que isso realmente aconteça é um maciço investimento na Educação Básica de qualidade.
Hoje, o acesso à Universidade está quase universalizado com os financiamentos do FIES e as bolsas do PRÓ-UNI. Mas o nível básico de ensino ainda deixa muito a desejar e um avanço na ré-qualificação desse ensino passa pela valorização do professor. Esperamos que o Governo cumpra as promessas de valorização do professor, pois somente assim poderemos ter um ensino de qualidade. E, com a melhora no ensino, virá a consequente diminuição das desigualdades salariais e sociais ainda existentes na sociedade.
Desejamos Feliz 2011 aos governantes e políticos que ora assumem seus postos. Feliz 2011 a todos nós governados. Que todos e todas conscientizem-se da necessidade de que cada um precisa fazer a sua parte para que todos sejamos realmente felizes. Feliz 2011 e uma educação de qualidade para todos!
Zacharias Bezerra de Oliveira
Hoje, o acesso à Universidade está quase universalizado com os financiamentos do FIES e as bolsas do PRÓ-UNI. Mas o nível básico de ensino ainda deixa muito a desejar e um avanço na ré-qualificação desse ensino passa pela valorização do professor. Esperamos que o Governo cumpra as promessas de valorização do professor, pois somente assim poderemos ter um ensino de qualidade. E, com a melhora no ensino, virá a consequente diminuição das desigualdades salariais e sociais ainda existentes na sociedade.
Desejamos Feliz 2011 aos governantes e políticos que ora assumem seus postos. Feliz 2011 a todos nós governados. Que todos e todas conscientizem-se da necessidade de que cada um precisa fazer a sua parte para que todos sejamos realmente felizes. Feliz 2011 e uma educação de qualidade para todos!
Zacharias Bezerra de Oliveira
martedì 14 dicembre 2010
A palavra sustentabilidade
As palavras vão entrando e saindo de moda conforme as proposições de cada momento, as necessidades e as vontades daqueles que detêm o poder temporal, seja político ou econômico. É curioso, por exemplo, perceber o que ocorre com a palavra "sustentabilidade". Para o mundo capitalista, ela significa apenas a melhor maneira de auferir mais lucro com os seus negócios. É poder, por exemplo, dispor dos recursos da natureza, visando auferir mais e mais lucros e atingir alto nível de desenvolvimento em benefício pessoal ou de uma nação em particular. Não importa, para estes, se existem outros com os quais se devam dividir esses bens.
Mas a sustentabilidade verdadeira está justamente em se gastar e consumir menos para que outros, não apenas dessa geração, mas de gerações futuras também possam vir a se beneficiar desses bens que a Terra nos proporciona.
É preciso, portanto, que haja uma radical mudança de paradigma. Não basta mais reciclar, reutilizar, reduzir o consumo, é preciso que se mude esse modelo perverso de produção e de consumo desenfreado. Uma drástica redução de gastos das nações mais ricas. Uma redistribuição da riqueza mundial. Redução no usos de energia, sobretudo, de combustíveis fósseis.
Sustentabilidade, pois, é isso, garantir que as nações em desenvolvimento e as gerações futuras também possam vir a poder usufruir dos bens que a Natureza nos dá. Fabricar menos armas e produzir mais alimentos. Plantar mais amor e diminuir os pastos. Reduzir o consumo e, sobretudo, a produção de bens supérfluos.
Zacharias Bezerra de Oliveira
Mas a sustentabilidade verdadeira está justamente em se gastar e consumir menos para que outros, não apenas dessa geração, mas de gerações futuras também possam vir a se beneficiar desses bens que a Terra nos proporciona.
É preciso, portanto, que haja uma radical mudança de paradigma. Não basta mais reciclar, reutilizar, reduzir o consumo, é preciso que se mude esse modelo perverso de produção e de consumo desenfreado. Uma drástica redução de gastos das nações mais ricas. Uma redistribuição da riqueza mundial. Redução no usos de energia, sobretudo, de combustíveis fósseis.
Sustentabilidade, pois, é isso, garantir que as nações em desenvolvimento e as gerações futuras também possam vir a poder usufruir dos bens que a Natureza nos dá. Fabricar menos armas e produzir mais alimentos. Plantar mais amor e diminuir os pastos. Reduzir o consumo e, sobretudo, a produção de bens supérfluos.
Zacharias Bezerra de Oliveira
lunedì 6 dicembre 2010
Organização da ortografia
A língua como meio de comunicação, além de falada, é também grafada com os símbolos que chamamos escrita.
A ortografia, do grego, orthós = correto, direito, + grafia = escrita, é o conjunto de normas que a sociedade de determinada época convencionou serem corretas e aptas para representar os sons emitidos na fala. Essas normas, de tempos em tempos, devem ser atualizadas para acompanhar a célere evolução da língua falada e para facilitar o seu ensino.
Portugal existe como nação desde 1143, quando se tornou um reino independente e desde 1290 tem o português como língua oficial. Mas somente em 1911 foi feita a primeira sistematização ou organização da escrita da língua portuguesa.
Normatização da língua
A primeira intervenção visando estabelecer normas para escrever e falar a língua portuguesa usada desde a Idade Média, coube a Portugal que, para isso, no final de 1910 nomeou uma Comissão com os membros: Aniceto dos Reis Gonçalves Viana, Adolfo Coelho, Carolina Michaelis, Borges Grainha, Cândido Figueiredo, Gonçalves Guimarães, José Joaquim Nunes, Júlio G. Moreira (e Epifânio da Silva Dias, que escusou-se por não poder participar). A Academia Brasileira de Letras, que existe desde 20/01/1897, por iniciativa de Machado de Assis e Joaquim Nabuco, recebeu comunicação sobre esse fato, no dia 17/01/1912.
Essa normalização seguiu a indicação do grande filólogo, foneticista e lexicógrafo português Aniceto dos Reis Gonçalves Viana, que em 1904 escandalizou a muitos, ao publicar um livro intitulado: ORTOGRAFIA NACIONAL, quando pela norma vigente deveria ser: ORTHOGRAPHIA NACIONAL. Gonçalves Viana, para simplificar a escrita do português propunha:
a) A eliminação dos grupos, ph, rh, th; e do y;
b) A eliminação das consoantes dobradas, com exceção rr e ss;
c) A eliminação das consoantes não pronunciadas, quando estas não influíam na pronúncia da vogal anterior.
d) Regularização da acentuação gráfica.
A sistematização do português feita por essa Comissão, que estabelecia a simplificação da ortografia portuguesa, foi oficializada em Portugal no dia 01/09/1911. Ela preocupou-se em melhorar a correspondência entre a língua escrita e a língua falada, em detrimento da etimologia, o que representa um prejuízo para a compreensão da origem das palavras e de seu significado preciso. E com isso criaram-se resistências em diversos setores da comunidade lusófona, tanto em Portugal, quanto no Brasil.
Relutante, o Brasil, somente em 1915, aprovou as decisões dessa normatização portuguesa, mas com reservas e com fortes oscilações entre pontos a serem adotados e rejeitados. Por conta da insatisfação de muitos setores, em 1919 o poeta Osório Duque Estrada – o autor da letra do Hino Nacional Brasileiro – mobilizou a Academia Brasileira de Letras e diversos setores da sociedade brasileira e conseguiu que o Brasil revogasse a aprovação feita em 1915. Com essa revogação voltamos a escrever: azymo, cavallo, cysne, hydra, phalange, photo, phantasma, pharmácia, phósforo, labyrintho, lágryma, lymphoma, lyra, lynce, lyrio, theatro, myxoscopia, martyr, mytho, neóphito, nympha, philosophia, rhetórica, rhinite, rhombo, rhonco, tyroide, thema, theologia, thesouro, tohrax, typho, typo, xysto, zygoto...
Sabemos que é muito difícil, se não impossível, legislar sobre fonética sem controvérsias. Na prática, não se consegue estabelecer normas gerais, que englobem as particularidades da pronúncia de Portugal, das várias regiões do Brasil, de Angola, de Cabo Verde, de Moçambique, de Timor Leste etc. É por isso que todos os Acordos tentados foram muito difíceis e encontraram tantas e tão cerradas resistências.
A ortografia, do grego, orthós = correto, direito, + grafia = escrita, é o conjunto de normas que a sociedade de determinada época convencionou serem corretas e aptas para representar os sons emitidos na fala. Essas normas, de tempos em tempos, devem ser atualizadas para acompanhar a célere evolução da língua falada e para facilitar o seu ensino.
Portugal existe como nação desde 1143, quando se tornou um reino independente e desde 1290 tem o português como língua oficial. Mas somente em 1911 foi feita a primeira sistematização ou organização da escrita da língua portuguesa.
Normatização da língua
A primeira intervenção visando estabelecer normas para escrever e falar a língua portuguesa usada desde a Idade Média, coube a Portugal que, para isso, no final de 1910 nomeou uma Comissão com os membros: Aniceto dos Reis Gonçalves Viana, Adolfo Coelho, Carolina Michaelis, Borges Grainha, Cândido Figueiredo, Gonçalves Guimarães, José Joaquim Nunes, Júlio G. Moreira (e Epifânio da Silva Dias, que escusou-se por não poder participar). A Academia Brasileira de Letras, que existe desde 20/01/1897, por iniciativa de Machado de Assis e Joaquim Nabuco, recebeu comunicação sobre esse fato, no dia 17/01/1912.
Essa normalização seguiu a indicação do grande filólogo, foneticista e lexicógrafo português Aniceto dos Reis Gonçalves Viana, que em 1904 escandalizou a muitos, ao publicar um livro intitulado: ORTOGRAFIA NACIONAL, quando pela norma vigente deveria ser: ORTHOGRAPHIA NACIONAL. Gonçalves Viana, para simplificar a escrita do português propunha:
a) A eliminação dos grupos, ph, rh, th; e do y;
b) A eliminação das consoantes dobradas, com exceção rr e ss;
c) A eliminação das consoantes não pronunciadas, quando estas não influíam na pronúncia da vogal anterior.
d) Regularização da acentuação gráfica.
A sistematização do português feita por essa Comissão, que estabelecia a simplificação da ortografia portuguesa, foi oficializada em Portugal no dia 01/09/1911. Ela preocupou-se em melhorar a correspondência entre a língua escrita e a língua falada, em detrimento da etimologia, o que representa um prejuízo para a compreensão da origem das palavras e de seu significado preciso. E com isso criaram-se resistências em diversos setores da comunidade lusófona, tanto em Portugal, quanto no Brasil.
Relutante, o Brasil, somente em 1915, aprovou as decisões dessa normatização portuguesa, mas com reservas e com fortes oscilações entre pontos a serem adotados e rejeitados. Por conta da insatisfação de muitos setores, em 1919 o poeta Osório Duque Estrada – o autor da letra do Hino Nacional Brasileiro – mobilizou a Academia Brasileira de Letras e diversos setores da sociedade brasileira e conseguiu que o Brasil revogasse a aprovação feita em 1915. Com essa revogação voltamos a escrever: azymo, cavallo, cysne, hydra, phalange, photo, phantasma, pharmácia, phósforo, labyrintho, lágryma, lymphoma, lyra, lynce, lyrio, theatro, myxoscopia, martyr, mytho, neóphito, nympha, philosophia, rhetórica, rhinite, rhombo, rhonco, tyroide, thema, theologia, thesouro, tohrax, typho, typo, xysto, zygoto...
Sabemos que é muito difícil, se não impossível, legislar sobre fonética sem controvérsias. Na prática, não se consegue estabelecer normas gerais, que englobem as particularidades da pronúncia de Portugal, das várias regiões do Brasil, de Angola, de Cabo Verde, de Moçambique, de Timor Leste etc. É por isso que todos os Acordos tentados foram muito difíceis e encontraram tantas e tão cerradas resistências.
domenica 12 settembre 2010
Nomes próprios e seus signficados
A partir de hoje, como curiosidade, algumas colunas publicadas semanalmente às segundas-feiras no Diário do Nordeste passarão a ser editadas aqui no nosso Blog, enquanto esperamos um patrocínio, quem sabe, para publicar em papel, como já nos foi sugerido e solicitado, todas as nossas colunas Palavras, Lógica e Sentido.
Apresentamos hoje nomes próprios, da letra A ate a letra C, com a devida explicação etimológica. Chamamos a atenção para o fato de que alguns nomes têm mais de uma explicação possível e também porque nem sempre a explicação é puramente etimológica, há casos em que a explicação é por analogia ou outras formas.
Os nomes próprios revelam vez por outra, curiosidades como: Burro, Calógero... você sabe qual foi o imperador romano que passou para história com o apelido de “Alpercatinha”?
Abdala. Do árabe, Abd = servo, + Allah = Deus. Servo de Deus.
Abdalaziz. Do árabe, Abd = servo, al (artigo), + Aziz = vitorioso. Servo vitorioso.
Arquelau. Do grego, archo = governo, + laos = povo. Governador do povo.
Arsênio. Do grego, arsen = viril, macho. Homem viril.
Arquimedes. Do grego, arqui = super, + medes, de medomai = pensar. Grande pensador.
Artur. Do céltico, art = pedra. Duro como a pedra.
Ascânio. Filho de Enéas, de etimologia desconhecida.
Aspásia. Do grego, aspozomai = abraçar. Mulher que acolhe com ternura. Era uma mulher ateniense célebre por sua beleza.
Asdrúbal. Do púnico, a`ru Baal = auxílio de Baal.
Assurbanipal. De axur-bani-pal = o deus Assur cria o filho.
Astolfo. Do alemão, ast-wulf = a lança que socorre.
Astério. Do grego, astérios = brilhante como um astro.
Atanásio. Do grego, athanatós + imortal. Vencedor da morte.
Ataulfo. Do alto alemão, Auxilio Paternal.
Átila. Do gótico, diminutivo de atta = pai. Significa: Paizinho ou Painho (na Bahia).
Augusto (a). Do latim, Augustus = consagrado pelos bons presságios dos adivinhos.
Aurélio (a). Palavra híbrida, do latim aurum =ouro, + elios = sol. Brilhante como o sol.
Aurora. Do latim, aurorra = brilhar, reluzir, alvorecer.
Austragésilo. Do gótico, austr = brilhante, + Geisel = refém (em alemão). Brilhante refém. É que na antiguidade os reféns eram tomados entre os filhos de pais ilustres.
Autólico. Do grego, autos = próprio; + lykós = lobo. O próprio lobo.
Aziz. Do árabe, significa o Bem Amado.
Balbino (a). Do latim, Balbinu = diminutivo de Balbus. Pequeno Balbo.
Balduino. Do alemão, Bald = audaz, ousado, + win = companheiro. Amigo corajoso.
Baraquias. Do hebaico, Barakiah = Deus abençoou.
Bárbara. Do grego, bárbaros = estrangeiro. Na antiguidade = o que não fala grego.
Basílio. Do grego, Basileios = real, régio. Em russo, Vasili, que foi o primeiro Czar russo.
Batista. Do grego, baptistés = balizador. Aquele que batiza.
Beatriz. Do latim, Beatrix = a que torna feliz.
Belisa. É apenas um anagrama de Isabel.
Belisário. Talvez do grego, belos = dardo. O que arremessa dardos ou flechas.
Benedito. Do latim, bendictus = abençoado.
Benoni. Do hebrico, Ben-aini filho da dor (cf. Gen.35, 18).
Bequimão. Do alemão, Bäckmann = padeiro.
Berengário. Do alemão, Bern = urso, + gar = lança. Caçador de ursos.
Berenice. Do macedônio, fere = trazer, + nike = vitória. Aquela que traz a vitória.
Bernardo. Do alemão, bern = urso, + hard = audaz. Ousado como um urso.
Berto (a). Do alemão, Berth = esplêndido (a). Associado a Alberto, Humberto, Roberto.
Bertoldo. Do alemão, Berth = esplêndido, + wald = chefe. Chefe esplêndido.
Bertrando. Do alemão, Berth = brilhante, + rand = escudo. Escudo brilhante.
Blandina. De origem latina. Significa, mulher, meiga e afável. Mártir cristã do século II.
Boaventura. De origem latina. Significa, o bem-vindo, o afortunado.
Bonifácio. Do latim, bonifatus = bem fadado. Ou de bônus faciens = o que faz o bem.
Breno. Do gaulês, brenn = cabeça. O Chefe. Em latim, Brenus (cf. Tito Lívio, V, 48).
Brígida. Do irlandês, Brig, ou Brighid = forte, grande. A forte.
Brunilda. Do alemão, brünne = couraça, + hild = combate. A que combate com couraça.
Bruno (a). Do francês, brun = moreno, trigueiro. Bruno louro é contradição etimológica.
Burro. Do latim, burrhus. Nome próprio masculino. Pode até ser raro, mas existe. Um deles é célebre, o americano Burrhus F. SKINNER, *1904+1990, um dos grandes psicólogos do século XX. Ele contribuiu muito para a teoria behaviorista, de J. B. Watson.
Caio. Do latim, gaius = alegre. Foi de “gaius” que o francês tirou “gai” = alegre.
Caetano. Do latim, caietanu = natural da cidade de Gaeta (Itália).
Calisto. Do grego, kallistós = belíssimo. O que é muito belo.
Calógero. Do grego, kalogeros = belo velho. Pandiá Calogeras foi o primeiro civil brasileiro da chefiar o Ministério da Guerra, em 1919 no governo de Epitácio Pessoa.
Calícrates. Do grego, kalos = belo + krates = forte. Forte e belo.
Calígula. É o diminutivo de caliga = alpercata dos soldados romanos. Calígula, = Caius César Germanicus, foi criado em acampamentos e recebeu dos soldados esse apelido. Tornou-se o imperador e passou para a história com esse nome: “alpercatinha” = Caligula.
Calíope. Do grego, kalos = belo (a), + ops = face, rosto. De bela face, bonita. Musa da poesia, ela é invocada por Camões em Os Lusíadas.
Calipso. Do grego, kalypsô = esconder. Era uma ninfa que se ocultava na ilha de Ogigia.
Calístenes. Do grego, kalos = belo, + sthenes = forte. Homem forte e belo.
Calvino. Do latim, calvinu = um pouco calvo, meio careca.
Camerino. (Sobrenome). Natural de Camerino, cidade do centro norte da Itália.
Camilo (a). Do latim, Camilus = jovem livre de família importante.
Cândido. Do latim, candidus = ingênuo, simples, puro.
Canuto. Do dinamarquês. Significa, poderoso, forte.
Carlos. Do alemão, Karl = Forte, viril. Ou do latim, carus = estimado.
Casimiro. Do polonês, ukasar = pregar, = mir = paz. Pregador da paz.
Cassilda. Do alemão, aquela que combate com lanças.
Cássio e Cassiano. Do latim, cassis = elmo. Homem armado com o elmo.
Castro. (Sobrenome). Do latim, castrum. Acampamento, fortaleza.
Catarina. Do grego, katarós = puro. Significa, a pura.
Cataldo. Do alto alemão, hatu = guerra, + wald = potente. Fortíssimo na guerra. São Cataldo é o protetor de Taranto, porto militar italiano no calcanhar da bota.
Castor. Do grego, kastor = brilhante.
Catulo. Do latim, catulus = cãosinho, cachorrinho, filhote.
Celeno. Do grego, keláinos = negro, sombrio. Nome de mulher. Era uma das harpias.
Celeste. Do latim, coelestis = habitante do céu.
Celestino (a); Celina. Diminutivos de Celeste.
Celso. Do latim, celsus = alto, elevado, apreciado, respeitado.
Ceres. Do latim, Ceres = criadora. Deusa da mitologia greco-romana.
Cesário. Do latim, Cesarius = Dedicado a César.
Cícero. Do latim, Cícero, ciceronis = grão de bico. (Cf. Plutarco, Vida de Cícero, I, 1).
Cilene. Do grego, kylléne. Nome feminino de etimologia desconhecida.
Cincinato. Do latim, cincinatu = de cabelo cacheado.
Cineas. Do grego, kineas. Nome de homem de etimologia desconhecida.
Cipriano. Do latim, cyprianu = cipriota, natural de Chipre.
Cirene. Do grego, kyrene = Nome de uma das ninfas. É uma cidade da África.
Cireneu. Do grego, kyrenáios = natural da cidade de Cirene.
Ciríaco. Do grego, kyriakós = do Senhor, senhorial.
Cirilo. Do grego, kyrillos = plena autoridade.
Ciro. Do persa = sol; pelo grego, kyrós = força. O que tem poder, o que é forte.
Cláudio (a). Do latim, claudus = manco, coxo. Da família romana, Claudius.
Claudino. É o diminutivo de Cludio.
Claudionor. Significa: “em honra de Cláudio.
Apresentamos hoje nomes próprios, da letra A ate a letra C, com a devida explicação etimológica. Chamamos a atenção para o fato de que alguns nomes têm mais de uma explicação possível e também porque nem sempre a explicação é puramente etimológica, há casos em que a explicação é por analogia ou outras formas.
Os nomes próprios revelam vez por outra, curiosidades como: Burro, Calógero... você sabe qual foi o imperador romano que passou para história com o apelido de “Alpercatinha”?
Abdala. Do árabe, Abd = servo, + Allah = Deus. Servo de Deus.
Abdalaziz. Do árabe, Abd = servo, al (artigo), + Aziz = vitorioso. Servo vitorioso.
Arquelau. Do grego, archo = governo, + laos = povo. Governador do povo.
Arsênio. Do grego, arsen = viril, macho. Homem viril.
Arquimedes. Do grego, arqui = super, + medes, de medomai = pensar. Grande pensador.
Artur. Do céltico, art = pedra. Duro como a pedra.
Ascânio. Filho de Enéas, de etimologia desconhecida.
Aspásia. Do grego, aspozomai = abraçar. Mulher que acolhe com ternura. Era uma mulher ateniense célebre por sua beleza.
Asdrúbal. Do púnico, a`ru Baal = auxílio de Baal.
Assurbanipal. De axur-bani-pal = o deus Assur cria o filho.
Astolfo. Do alemão, ast-wulf = a lança que socorre.
Astério. Do grego, astérios = brilhante como um astro.
Atanásio. Do grego, athanatós + imortal. Vencedor da morte.
Ataulfo. Do alto alemão, Auxilio Paternal.
Átila. Do gótico, diminutivo de atta = pai. Significa: Paizinho ou Painho (na Bahia).
Augusto (a). Do latim, Augustus = consagrado pelos bons presságios dos adivinhos.
Aurélio (a). Palavra híbrida, do latim aurum =ouro, + elios = sol. Brilhante como o sol.
Aurora. Do latim, aurorra = brilhar, reluzir, alvorecer.
Austragésilo. Do gótico, austr = brilhante, + Geisel = refém (em alemão). Brilhante refém. É que na antiguidade os reféns eram tomados entre os filhos de pais ilustres.
Autólico. Do grego, autos = próprio; + lykós = lobo. O próprio lobo.
Aziz. Do árabe, significa o Bem Amado.
Balbino (a). Do latim, Balbinu = diminutivo de Balbus. Pequeno Balbo.
Balduino. Do alemão, Bald = audaz, ousado, + win = companheiro. Amigo corajoso.
Baraquias. Do hebaico, Barakiah = Deus abençoou.
Bárbara. Do grego, bárbaros = estrangeiro. Na antiguidade = o que não fala grego.
Basílio. Do grego, Basileios = real, régio. Em russo, Vasili, que foi o primeiro Czar russo.
Batista. Do grego, baptistés = balizador. Aquele que batiza.
Beatriz. Do latim, Beatrix = a que torna feliz.
Belisa. É apenas um anagrama de Isabel.
Belisário. Talvez do grego, belos = dardo. O que arremessa dardos ou flechas.
Benedito. Do latim, bendictus = abençoado.
Benoni. Do hebrico, Ben-aini filho da dor (cf. Gen.35, 18).
Bequimão. Do alemão, Bäckmann = padeiro.
Berengário. Do alemão, Bern = urso, + gar = lança. Caçador de ursos.
Berenice. Do macedônio, fere = trazer, + nike = vitória. Aquela que traz a vitória.
Bernardo. Do alemão, bern = urso, + hard = audaz. Ousado como um urso.
Berto (a). Do alemão, Berth = esplêndido (a). Associado a Alberto, Humberto, Roberto.
Bertoldo. Do alemão, Berth = esplêndido, + wald = chefe. Chefe esplêndido.
Bertrando. Do alemão, Berth = brilhante, + rand = escudo. Escudo brilhante.
Blandina. De origem latina. Significa, mulher, meiga e afável. Mártir cristã do século II.
Boaventura. De origem latina. Significa, o bem-vindo, o afortunado.
Bonifácio. Do latim, bonifatus = bem fadado. Ou de bônus faciens = o que faz o bem.
Breno. Do gaulês, brenn = cabeça. O Chefe. Em latim, Brenus (cf. Tito Lívio, V, 48).
Brígida. Do irlandês, Brig, ou Brighid = forte, grande. A forte.
Brunilda. Do alemão, brünne = couraça, + hild = combate. A que combate com couraça.
Bruno (a). Do francês, brun = moreno, trigueiro. Bruno louro é contradição etimológica.
Burro. Do latim, burrhus. Nome próprio masculino. Pode até ser raro, mas existe. Um deles é célebre, o americano Burrhus F. SKINNER, *1904+1990, um dos grandes psicólogos do século XX. Ele contribuiu muito para a teoria behaviorista, de J. B. Watson.
Caio. Do latim, gaius = alegre. Foi de “gaius” que o francês tirou “gai” = alegre.
Caetano. Do latim, caietanu = natural da cidade de Gaeta (Itália).
Calisto. Do grego, kallistós = belíssimo. O que é muito belo.
Calógero. Do grego, kalogeros = belo velho. Pandiá Calogeras foi o primeiro civil brasileiro da chefiar o Ministério da Guerra, em 1919 no governo de Epitácio Pessoa.
Calícrates. Do grego, kalos = belo + krates = forte. Forte e belo.
Calígula. É o diminutivo de caliga = alpercata dos soldados romanos. Calígula, = Caius César Germanicus, foi criado em acampamentos e recebeu dos soldados esse apelido. Tornou-se o imperador e passou para a história com esse nome: “alpercatinha” = Caligula.
Calíope. Do grego, kalos = belo (a), + ops = face, rosto. De bela face, bonita. Musa da poesia, ela é invocada por Camões em Os Lusíadas.
Calipso. Do grego, kalypsô = esconder. Era uma ninfa que se ocultava na ilha de Ogigia.
Calístenes. Do grego, kalos = belo, + sthenes = forte. Homem forte e belo.
Calvino. Do latim, calvinu = um pouco calvo, meio careca.
Camerino. (Sobrenome). Natural de Camerino, cidade do centro norte da Itália.
Camilo (a). Do latim, Camilus = jovem livre de família importante.
Cândido. Do latim, candidus = ingênuo, simples, puro.
Canuto. Do dinamarquês. Significa, poderoso, forte.
Carlos. Do alemão, Karl = Forte, viril. Ou do latim, carus = estimado.
Casimiro. Do polonês, ukasar = pregar, = mir = paz. Pregador da paz.
Cassilda. Do alemão, aquela que combate com lanças.
Cássio e Cassiano. Do latim, cassis = elmo. Homem armado com o elmo.
Castro. (Sobrenome). Do latim, castrum. Acampamento, fortaleza.
Catarina. Do grego, katarós = puro. Significa, a pura.
Cataldo. Do alto alemão, hatu = guerra, + wald = potente. Fortíssimo na guerra. São Cataldo é o protetor de Taranto, porto militar italiano no calcanhar da bota.
Castor. Do grego, kastor = brilhante.
Catulo. Do latim, catulus = cãosinho, cachorrinho, filhote.
Celeno. Do grego, keláinos = negro, sombrio. Nome de mulher. Era uma das harpias.
Celeste. Do latim, coelestis = habitante do céu.
Celestino (a); Celina. Diminutivos de Celeste.
Celso. Do latim, celsus = alto, elevado, apreciado, respeitado.
Ceres. Do latim, Ceres = criadora. Deusa da mitologia greco-romana.
Cesário. Do latim, Cesarius = Dedicado a César.
Cícero. Do latim, Cícero, ciceronis = grão de bico. (Cf. Plutarco, Vida de Cícero, I, 1).
Cilene. Do grego, kylléne. Nome feminino de etimologia desconhecida.
Cincinato. Do latim, cincinatu = de cabelo cacheado.
Cineas. Do grego, kineas. Nome de homem de etimologia desconhecida.
Cipriano. Do latim, cyprianu = cipriota, natural de Chipre.
Cirene. Do grego, kyrene = Nome de uma das ninfas. É uma cidade da África.
Cireneu. Do grego, kyrenáios = natural da cidade de Cirene.
Ciríaco. Do grego, kyriakós = do Senhor, senhorial.
Cirilo. Do grego, kyrillos = plena autoridade.
Ciro. Do persa = sol; pelo grego, kyrós = força. O que tem poder, o que é forte.
Cláudio (a). Do latim, claudus = manco, coxo. Da família romana, Claudius.
Claudino. É o diminutivo de Cludio.
Claudionor. Significa: “em honra de Cláudio.
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