martedì 14 dicembre 2010

A palavra sustentabilidade

As palavras vão entrando e saindo de moda conforme as proposições de cada momento, as necessidades e as vontades daqueles que detêm o poder temporal, seja político ou econômico. É curioso, por exemplo, perceber o que ocorre com a palavra "sustentabilidade". Para o mundo capitalista, ela significa apenas a melhor maneira de auferir mais lucro com os seus negócios. É poder, por exemplo, dispor dos recursos da natureza, visando auferir mais e mais lucros e atingir alto nível de desenvolvimento em benefício pessoal ou de uma nação em particular. Não importa, para estes, se existem outros com os quais se devam dividir esses bens.

Mas a sustentabilidade verdadeira está justamente em se gastar e consumir menos para que outros, não apenas dessa geração, mas de gerações futuras também possam vir a se beneficiar desses bens que a Terra nos proporciona.

É preciso, portanto, que haja uma radical mudança de paradigma. Não basta mais reciclar, reutilizar, reduzir o consumo, é preciso que se mude esse modelo perverso de produção e de consumo desenfreado. Uma drástica redução de gastos das nações mais ricas. Uma redistribuição da riqueza mundial. Redução no usos de energia, sobretudo, de combustíveis fósseis.

Sustentabilidade, pois, é isso, garantir que as nações em desenvolvimento e as gerações futuras também possam vir a poder usufruir dos bens que a Natureza nos dá. Fabricar menos armas e produzir mais alimentos. Plantar mais amor e diminuir os pastos. Reduzir o consumo e, sobretudo, a produção de bens supérfluos.

Zacharias Bezerra de Oliveira

lunedì 6 dicembre 2010

Organização da ortografia

A língua como meio de comunicação, além de falada, é também grafada com os símbolos que chamamos escrita.

A ortografia, do grego, orthós = correto, direito, + grafia = escrita, é o conjunto de normas que a sociedade de determinada época convencionou serem corretas e aptas para representar os sons emitidos na fala. Essas normas, de tempos em tempos, devem ser atualizadas para acompanhar a célere evolução da língua falada e para facilitar o seu ensino.

Portugal existe como nação desde 1143, quando se tornou um reino independente e desde 1290 tem o português como língua oficial. Mas somente em 1911 foi feita a primeira sistematização ou organização da escrita da língua portuguesa.

Normatização da língua

A primeira intervenção visando estabelecer normas para escrever e falar a língua portuguesa usada desde a Idade Média, coube a Portugal que, para isso, no final de 1910 nomeou uma Comissão com os membros: Aniceto dos Reis Gonçalves Viana, Adolfo Coelho, Carolina Michaelis, Borges Grainha, Cândido Figueiredo, Gonçalves Guimarães, José Joaquim Nunes, Júlio G. Moreira (e Epifânio da Silva Dias, que escusou-se por não poder participar). A Academia Brasileira de Letras, que existe desde 20/01/1897, por iniciativa de Machado de Assis e Joaquim Nabuco, recebeu comunicação sobre esse fato, no dia 17/01/1912.

Essa normalização seguiu a indicação do grande filólogo, foneticista e lexicógrafo português Aniceto dos Reis Gonçalves Viana, que em 1904 escandalizou a muitos, ao publicar um livro intitulado: ORTOGRAFIA NACIONAL, quando pela norma vigente deveria ser: ORTHOGRAPHIA NACIONAL. Gonçalves Viana, para simplificar a escrita do português propunha:

a) A eliminação dos grupos, ph, rh, th; e do y;

b) A eliminação das consoantes dobradas, com exceção rr e ss;

c) A eliminação das consoantes não pronunciadas, quando estas não influíam na pronúncia da vogal anterior.

d) Regularização da acentuação gráfica.

A sistematização do português feita por essa Comissão, que estabelecia a simplificação da ortografia portuguesa, foi oficializada em Portugal no dia 01/09/1911. Ela preocupou-se em melhorar a correspondência entre a língua escrita e a língua falada, em detrimento da etimologia, o que representa um prejuízo para a compreensão da origem das palavras e de seu significado preciso. E com isso criaram-se resistências em diversos setores da comunidade lusófona, tanto em Portugal, quanto no Brasil.

Relutante, o Brasil, somente em 1915, aprovou as decisões dessa normatização portuguesa, mas com reservas e com fortes oscilações entre pontos a serem adotados e rejeitados. Por conta da insatisfação de muitos setores, em 1919 o poeta Osório Duque Estrada – o autor da letra do Hino Nacional Brasileiro – mobilizou a Academia Brasileira de Letras e diversos setores da sociedade brasileira e conseguiu que o Brasil revogasse a aprovação feita em 1915. Com essa revogação voltamos a escrever: azymo, cavallo, cysne, hydra, phalange, photo, phantasma, pharmácia, phósforo, labyrintho, lágryma, lymphoma, lyra, lynce, lyrio, theatro, myxoscopia, martyr, mytho, neóphito, nympha, philosophia, rhetórica, rhinite, rhombo, rhonco, tyroide, thema, theologia, thesouro, tohrax, typho, typo, xysto, zygoto...

Sabemos que é muito difícil, se não impossível, legislar sobre fonética sem controvérsias. Na prática, não se consegue estabelecer normas gerais, que englobem as particularidades da pronúncia de Portugal, das várias regiões do Brasil, de Angola, de Cabo Verde, de Moçambique, de Timor Leste etc. É por isso que todos os Acordos tentados foram muito difíceis e encontraram tantas e tão cerradas resistências.

domenica 12 settembre 2010

Nomes próprios e seus signficados

A partir de hoje, como curiosidade, algumas colunas publicadas semanalmente às segundas-feiras no Diário do Nordeste passarão a ser editadas aqui no nosso Blog, enquanto esperamos um patrocínio, quem sabe, para publicar em papel, como já nos foi sugerido e solicitado, todas as nossas colunas Palavras, Lógica e Sentido.

Apresentamos hoje nomes próprios, da letra A ate a letra C, com a devida explicação etimológica. Chamamos a atenção para o fato de que alguns nomes têm mais de uma explicação possível e também porque nem sempre a explicação é puramente etimológica, há casos em que a explicação é por analogia ou outras formas.

Os nomes próprios revelam vez por outra, curiosidades como: Burro, Calógero... você sabe qual foi o imperador romano que passou para história com o apelido de “Alpercatinha”?

Abdala. Do árabe, Abd = servo, + Allah = Deus. Servo de Deus.
Abdalaziz. Do árabe, Abd = servo, al (artigo), + Aziz = vitorioso. Servo vitorioso.
Arquelau. Do grego, archo = governo, + laos = povo. Governador do povo.
Arsênio. Do grego, arsen = viril, macho. Homem viril.
Arquimedes. Do grego, arqui = super, + medes, de medomai = pensar. Grande pensador.
Artur. Do céltico, art = pedra. Duro como a pedra.
Ascânio. Filho de Enéas, de etimologia desconhecida.
Aspásia. Do grego, aspozomai = abraçar. Mulher que acolhe com ternura. Era uma mulher ateniense célebre por sua beleza.
Asdrúbal. Do púnico, a`ru Baal = auxílio de Baal.
Assurbanipal. De axur-bani-pal = o deus Assur cria o filho.
Astolfo. Do alemão, ast-wulf = a lança que socorre.
Astério. Do grego, astérios = brilhante como um astro.
Atanásio. Do grego, athanatós + imortal. Vencedor da morte.
Ataulfo. Do alto alemão, Auxilio Paternal.
Átila. Do gótico, diminutivo de atta = pai. Significa: Paizinho ou Painho (na Bahia).
Augusto (a). Do latim, Augustus = consagrado pelos bons presságios dos adivinhos.
Aurélio (a). Palavra híbrida, do latim aurum =ouro, + elios = sol. Brilhante como o sol.
Aurora. Do latim, aurorra = brilhar, reluzir, alvorecer.
Austragésilo. Do gótico, austr = brilhante, + Geisel = refém (em alemão). Brilhante refém. É que na antiguidade os reféns eram tomados entre os filhos de pais ilustres.
Autólico. Do grego, autos = próprio; + lykós = lobo. O próprio lobo.
Aziz. Do árabe, significa o Bem Amado.

Balbino (a). Do latim, Balbinu = diminutivo de Balbus. Pequeno Balbo.
Balduino. Do alemão, Bald = audaz, ousado, + win = companheiro. Amigo corajoso.
Baraquias. Do hebaico, Barakiah = Deus abençoou.
Bárbara. Do grego, bárbaros = estrangeiro. Na antiguidade = o que não fala grego.
Basílio. Do grego, Basileios = real, régio. Em russo, Vasili, que foi o primeiro Czar russo.
Batista. Do grego, baptistés = balizador. Aquele que batiza.
Beatriz. Do latim, Beatrix = a que torna feliz.
Belisa. É apenas um anagrama de Isabel.
Belisário. Talvez do grego, belos = dardo. O que arremessa dardos ou flechas.
Benedito. Do latim, bendictus = abençoado.
Benoni. Do hebrico, Ben-aini filho da dor (cf. Gen.35, 18).
Bequimão. Do alemão, Bäckmann = padeiro.
Berengário. Do alemão, Bern = urso, + gar = lança. Caçador de ursos.
Berenice. Do macedônio, fere = trazer, + nike = vitória. Aquela que traz a vitória.
Bernardo. Do alemão, bern = urso, + hard = audaz. Ousado como um urso.
Berto (a). Do alemão, Berth = esplêndido (a). Associado a Alberto, Humberto, Roberto.
Bertoldo. Do alemão, Berth = esplêndido, + wald = chefe. Chefe esplêndido.
Bertrando. Do alemão, Berth = brilhante, + rand = escudo. Escudo brilhante.
Blandina. De origem latina. Significa, mulher, meiga e afável. Mártir cristã do século II.
Boaventura. De origem latina. Significa, o bem-vindo, o afortunado.
Bonifácio. Do latim, bonifatus = bem fadado. Ou de bônus faciens = o que faz o bem.
Breno. Do gaulês, brenn = cabeça. O Chefe. Em latim, Brenus (cf. Tito Lívio, V, 48).
Brígida. Do irlandês, Brig, ou Brighid = forte, grande. A forte.
Brunilda. Do alemão, brünne = couraça, + hild = combate. A que combate com couraça.
Bruno (a). Do francês, brun = moreno, trigueiro. Bruno louro é contradição etimológica.
Burro. Do latim, burrhus. Nome próprio masculino. Pode até ser raro, mas existe. Um deles é célebre, o americano Burrhus F. SKINNER, *1904+1990, um dos grandes psicólogos do século XX. Ele contribuiu muito para a teoria behaviorista, de J. B. Watson.

Caio. Do latim, gaius = alegre. Foi de “gaius” que o francês tirou “gai” = alegre.
Caetano. Do latim, caietanu = natural da cidade de Gaeta (Itália).
Calisto. Do grego, kallistós = belíssimo. O que é muito belo.
Calógero. Do grego, kalogeros = belo velho. Pandiá Calogeras foi o primeiro civil brasileiro da chefiar o Ministério da Guerra, em 1919 no governo de Epitácio Pessoa.
Calícrates. Do grego, kalos = belo + krates = forte. Forte e belo.
Calígula. É o diminutivo de caliga = alpercata dos soldados romanos. Calígula, = Caius César Germanicus, foi criado em acampamentos e recebeu dos soldados esse apelido. Tornou-se o imperador e passou para a história com esse nome: “alpercatinha” = Caligula.
Calíope. Do grego, kalos = belo (a), + ops = face, rosto. De bela face, bonita. Musa da poesia, ela é invocada por Camões em Os Lusíadas.
Calipso. Do grego, kalypsô = esconder. Era uma ninfa que se ocultava na ilha de Ogigia.
Calístenes. Do grego, kalos = belo, + sthenes = forte. Homem forte e belo.
Calvino. Do latim, calvinu = um pouco calvo, meio careca.
Camerino. (Sobrenome). Natural de Camerino, cidade do centro norte da Itália.
Camilo (a). Do latim, Camilus = jovem livre de família importante.
Cândido. Do latim, candidus = ingênuo, simples, puro.
Canuto. Do dinamarquês. Significa, poderoso, forte.
Carlos. Do alemão, Karl = Forte, viril. Ou do latim, carus = estimado.
Casimiro. Do polonês, ukasar = pregar, = mir = paz. Pregador da paz.
Cassilda. Do alemão, aquela que combate com lanças.
Cássio e Cassiano. Do latim, cassis = elmo. Homem armado com o elmo.
Castro. (Sobrenome). Do latim, castrum. Acampamento, fortaleza.
Catarina. Do grego, katarós = puro. Significa, a pura.
Cataldo. Do alto alemão, hatu = guerra, + wald = potente. Fortíssimo na guerra. São Cataldo é o protetor de Taranto, porto militar italiano no calcanhar da bota.
Castor. Do grego, kastor = brilhante.
Catulo. Do latim, catulus = cãosinho, cachorrinho, filhote.
Celeno. Do grego, keláinos = negro, sombrio. Nome de mulher. Era uma das harpias.
Celeste. Do latim, coelestis = habitante do céu.
Celestino (a); Celina. Diminutivos de Celeste.
Celso. Do latim, celsus = alto, elevado, apreciado, respeitado.
Ceres. Do latim, Ceres = criadora. Deusa da mitologia greco-romana.
Cesário. Do latim, Cesarius = Dedicado a César.
Cícero. Do latim, Cícero, ciceronis = grão de bico. (Cf. Plutarco, Vida de Cícero, I, 1).
Cilene. Do grego, kylléne. Nome feminino de etimologia desconhecida.
Cincinato. Do latim, cincinatu = de cabelo cacheado.
Cineas. Do grego, kineas. Nome de homem de etimologia desconhecida.
Cipriano. Do latim, cyprianu = cipriota, natural de Chipre.
Cirene. Do grego, kyrene = Nome de uma das ninfas. É uma cidade da África.
Cireneu. Do grego, kyrenáios = natural da cidade de Cirene.
Ciríaco. Do grego, kyriakós = do Senhor, senhorial.
Cirilo. Do grego, kyrillos = plena autoridade.
Ciro. Do persa = sol; pelo grego, kyrós = força. O que tem poder, o que é forte.
Cláudio (a). Do latim, claudus = manco, coxo. Da família romana, Claudius.
Claudino. É o diminutivo de Cludio.
Claudionor. Significa: “em honra de Cláudio.

sabato 11 settembre 2010

A Universidade e a construção do saber

Em meio ao ambiente propício da FACED-UFC, centenários manguezais, bem-te-vis que bailavam pelas janelas querendo adentrar e participar das discussões, colegas dos mais diversos ramos da ciência e três professores doutores à disposição: Luiz Botelho, Ana Iório e Paulo Barguil, eu aprendi como se dá a construção do saber no contexto cultural e as normas e formas das Práticas Educativas. Era a cadeira Didática do Ensino Superior que encerrava as disciplinas do mestrado no Programa Regional de Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA-UFC).
Aprendi com estes mestres que as Fábulas são a maneira de formar as pessoas no ambiente doméstico. Histórias com moral. Mostram o que é aceitável, inaceitável, valorizado ou não. É um princípio de formação. Destacam valores de humanidade e de solidariedade. Os Mitos, outra maneira de formar, referem-se a coisas que existem na natureza, na sociedade. O mito é extenso. Pode ser desconcertante pela crueza. Mostra que somos santos e diabos. Capazes da maldade, da esperteza, da enrolação. É um processo formador mais estruturado. Fábulas e Mitos, pois, estão dentro do processo formador que atravessa todas as civilizações. Ajudam a compreender a formação da sociedade.

PAIDEIA é o processo pelo qual se deu a formação do Homem grego. HUMANITAS, formação do Cidadão Romano. ESCOLÁSTICA, formação do Cristão Católico. Grande parte da educação brasileira, por exemplo, é moldada nestes princípios trazidos a nós pelos Jesuítas (1549). DIDÁTICA (Século XVIII), que surgiu no contexto da Reforma Protestante. Proposta de educação para todos: meninos e meninas. A finalidade era ensinar a todos a lerem os textos sagrados para se salvarem. Ler é fundamental para a salvação. A REVOLUÇÃO FRANCESA traz o Contrato Social (Rousseau). Direitos e deveres da cidadania. Direitos e deveres de homens e mulheres terem 4 anos de educação básica. Técnicas de ensino. Emancipação. Educação para a salvação, para o consumo... O Ensino Superior.

Mas o que é o Ensino Superior? Existe por acaso um ensino inferior? (Bom, existe o Ensino Médio). O Ensino Superior, digamos, é para pessoas que já foram domesticadas, treinadas e sabem quais são as suas responsabilidades e limitações. É um processo de construção da autonomia intelectual. O Ensino Superior existe para completar o processo de autonomia dos alunos. É um ensino para adultos extremamente sofisticados. A plena VERDADE não existe. O discurso é certo, é provável, é plausível, é certificado pela Academia, que está aí para ajudar a construir o perfil sociocultural, para nos auxiliar a construirmos nossa autonomia intelectual.

A Universidade era uma concessão territorial. Os professores não pagavam impostos. O estudante universitário não participava em refregas. Ter direito a usar cores, Brasão de Armas, o Campus Universitário são memórias de um passado glorioso que construiu o patrimônio da Academia. Direito a um diploma universitário. Antes só podia ser professor quem fosse filho de professor. Hoje é a avaliação pelo mérito feito pelos pares a critério da Universidade ao longo do processo de formação. A construção de uma identidade socialmente reconhecida tem como cenário a construção de um saber. É para isto que nos preparamos no Ensino chamado Superior. O mérito é aferido através de exames. Há uma articulação com o conhecimento. É prazeroso. Cada um encontra o tema que lhe agrada.

Para isso, temos a METODOLOGIA. Há um plano de ensino. Um planejamento prévio. Um ciclo pedagógico. A condução do processo. Plano. Previsão. Avaliação. Controle. São palavras-chave que indicam ser o ensino SUPERIOR para adultos responsáveis, para aqueles que, como o bem-te-vi na janela, querem entrar e participar. É a construção do saber.

Zacharias Bezerra de Oliveira

giovedì 5 agosto 2010

Palavras que mudaram de sentido

Asilo – Do grego, ’άσυλος = imune de roubo, inviolável, protegido, seguro. A palavra é composta de “a” privativo, + syle = preso, tomado, invadido, saqueado. Na antiguidade as igrejas e templos eram lugares de asilo dos perseguidos, até da polícia. Posteriormente a palavra tomou o sentido de instituição social para abrigar e sustentar diversos tipos de pessoas: idosos, doentes mentais, órfãos... é claro que essas instituições têm também a finalidade de proteger esses seus dependentes,mas houve pelo menos uma ligeira mudança de sentido.

Bárbaro – Do grego, βάρβαρος = estrangeiro. Em grego antigo a palavra é de origem onomatopaica, o que fala uma língua estranha e diz: bar, bar, bar... emitindo sons que não se compreende. Plutarco conta que Pirro, o aventureiro rei do Épiro, vendo as legiões romanas organizadas e esplendidamente aparelhadas, disse: “Eu jamais imaginava que esses bárbaros fossem tão civilizados”. Hoje a frase soa contraditória, mas bárbaros aí, era estrangeiros. Foi a violência de certos “estrangeiros” = bárbaros: alanos, hunos, vândalos... que atacaram o império romano semeando desordens, saques e outras violências, que a palavra “bárbaro” perdesse o sentido de “estrangeiro” e passasse a significar só: violento, cruel, desalmado...

Cardeal – Do latim, cardo, cardinis = gonzo... (perno, polo...) que em linguagem figurada quer dizer apoio, base, sustentação, portanto parte essencial e também orientação, como no caso dos quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste; ou das quatro virtudes cardeais: justiça, fortaleza, prudência e temperança, que estão na base de todas as outras. A Igreja chama de “Cardeais”, os altos prelados do Vaticano que são conselheiros e auxiliares mais diretos do Papa, no governo da Igreja Católica. Os cardeais veem do ano 113 d.C.

Carpinteiro – Do latim, carpentum = carro. Inicialmente carpinteiro era quem trabalhava na fabricação de carros e carroças, nessa denominação se inclui o carro de trem, que em italiano é “carrozza” = carroça.

Cirurgia – Do grego, χειρουργιία = cirurgia. A palavra é formada de cheir = mão, + urgia = trabalho, palavra oriunda do verbo érgom = trabalhar. O termo cirurgia designava inicialmente todo trabalho feito com as mãos: barbeiro, bordadeira, carpinteiro, pedreiro... e todos os trabalhos. Depois com o desenvolvimento da medicina surgiu um parte especializada em operação e surgir a medicina cirúrgica e a palavra ficou exclusiva para o médico que praticar intervenções operando pacientes.

mercoledì 28 luglio 2010

Palavras que mudaram de sentido

Nós aprendemos e usamos palavras, muitas vezes sem nos dar conta de que o significado delas foi atribuído, casual ou deliberadamente, no tempo histórico, por uma ou várias pessoas, ou como em alguns casos, foi motivado por uma situação, um acontecimento ou um fato significativo para a comunidade.
Uma exceção, que vem confirmar essa regra, está nas palavras que têm vários sentidos, como: manga, linha, etc. Se antes de usarmos uma palavra soubermos o seu significado original e sua história, falaremos e escreveremos com mais precisão. Daí a importância de conhecer as palavras no seu significado primevo. Como não sabemos tudo, nós devemos usar o dicionário.
A etimologia é uma ajuda preciosa para compreender o ponto de partida das palavras e seu desenvolvimento ulterior. Os valores podem mudar, perder-se ou tornar-se gradativos.

Alqueire – Do árabe al-kárl, alqueire, originalmente, eram bolsas presas ao dorso dos animais de carga e que continham grãos. Depois passou a significar, por analogia, a quantidade de grãos que cabia em cada bolsa. Era uma medida de capacidade para sólidos e líquidos. Mais tarde o alqueire se tornaria também uma medida de área. Sendo 1 (um) alqueire o correspondente à área necessária para o plantio da quantidade de grãos que cabia naquelas bolsas. Hoje, no Brasil, alqueire é uma unidade de medida de superfície agrária que equivale a 2,42 há. em São Paulo, “alqueire paulista” ou a 4,84 hectares, (MG e R J), ou o “alqueire do norte”, = 27.225m².

Anedota – Do grego, ’ανέκδοτος = inédito, não publicado, não conhecido. A anedota pois, na sua essência é um fato novo, recém criado, não publicado e por isso não conhecido. O que não é o caso de tantas contadas e recontadas mil vezes.

Apoteose – Do grego, ’αποθέωσις = apoteose. A palavra vem de dois termos gregos: apo = depois, após, + Théos = Deus. A apoteose era uma cerimônia solene, que acontecia já no paganismo, com a qual, após a morte de uma pessoa ilustre, se procurava aproximar aquela pessoa dos deuses e se testemunhava a admiração por aquela pessoa. A apoteose era pois uma cerimônia fúnebre, uma espécie de encomendação, como se faz no cristianismo.

Assassino – Do árabe haxaxi = consumidor de hashish bebida alcoólica extraída das folhas de cânhamo (canabis sativa), a popular maconha. Eram chamado “hachachi”, os adeptos de uma seita xiita do século XI, guiada por Hassan Al-Shabbah, conhecido como o velho da montanha. Na época das Cruzadas, os hachachis consumiam a erva antes de investirem sangrentos ataques contra os cristãos. Portanto, de haxaxi = consumidor de erva, posteriormente, se originou a palavra assassino.

venerdì 25 giugno 2010

Como “criar” palavras?

“É preferível ensinar o necessitado a pescar a dar-lhe o peixe já pescado”. Para criar suas próprias palavras faça uma busca de prefixos e sufixos latinos e gregos e, agregando os termos de outras línguas de que muitos são conhecedores, tente “criar” novos nomes compreensíveis, lógicos e aceitáveis. Sugere-se a associação com outras pessoas e a realização de uma “tempestade de ideias” (brainstorming) para trazer à luz as palavras que se quer e são viáveis de serem criadas.

A participação do professor/orientador e de pessoas bem informadas em literatura e em línguas clássicas é fundamental neste processo de criação. É muito importante a participação de todos no processo de criação. Cada um tem a sua contribuição a dar. Não existe opinião que possa ser considerada boba ou que seja logo descartada. Por isso, solte as amarras, extravase, jogue fora a timidez e dê sua opinião. A hora de falar é no momento da criação, quando se realiza a tempestade de ideias. Caso não esteja conseguindo falar, levante o braço, que o professor (moderador) dar-lhe-á voz.

Palavras criadas por escritores clássicos e modernos

Foram muitos os escritores clássicos e modernos que criaram palavras. Homero, de tão embevecido com o belo amanhecer na Grécia, escreveu: “Quando apareceu a filha da manhã, a Aurora rododáctila...” (Ilíada 1,477 e Odisseia 2,1) et passim. Nesse trecho ele cria o termo “rododáctila”, unindo as palavras: “rodos” = rosa + dáctilo = dedo. Portanto ele antropomorfiza Eo, a deusa da aurora, simbolizando-a na rosada mão aberta, fazendo desaparecer as trevas e trazendo o tom rosáceo, prenúncio da luz de um novo e lindo dia. Artistóteles em sua Retórica (1405 b) usa o termo e faz um acurado comentário sobre a beleza, a correção e a exatidão que o mesmo encerra. A Homero, também é atribuído um neologismo grego surgido no seu tempo, numa obra em forma de paródia intitulada: Batracomiomaquia. Esse termo é a simples junção de três nomes: Batráko+mio+maquia = “Batalha das rãs com os ratos”. A autoria nunca foi provada. É bom saber que o termo “mio” em grego, tem um homônimo que é “músculo”.

O escritor francês, François Rabelais *1494+1553, em Pantagruel, criou o personagem Panúrgio, nome composto de pan = tudo, mais urgio, de ergon = trabalho. O termo tem o sentido de esperto, malino, impossível... Panúrgio comprou caro o carneiro mais velho do rebanho de seu desafeto e ato contínuo, jogou-o no mar. Imediatamente todo o rebanho precipitou-se atrás dele. O inimigo perdeu seu rebanho. Por associação pode-se entender as palavras com mesmo final como: cirurgia, dramaturgia, liturgia, meliturgia, metalurgia. mineralurgia, siderurgia, taumaturgia... O economista francês Jean-Claude M. Vincent *1712+1759, em um momento de luminosa inspiração “criou” a palavra: bureaucratie, que é a união da palavra francesa “bureau” = mesa com a palavra grega “cracia” = poder. Em português transformou-se em “burocracia”. Esta foi uma palavra muito bem aceita em todas as línguas ocidentais , o que demonstra ser este um problema universal. Esta palavra é uma feliz criação, pois retrata exatamente o que a burocracia representa: “o poder da mesa”. O sujeito senta-se atrás de uma mesa e tome ordens, exigências para chatear as pessoas... Aqui entre nós brasileiros esta palavra, às vezes, é também traduzida como “burrocracia”, em uma clara alusão de que seriam medidas tomadas por pessoas com poder, mas pouca inteligência.

No início dos anos 60 os russos criaram a palavra “cosmonauta” (que pela nova grafia pode ser “kosmonauta”, pois vem do grego kosmós = universo). No auge da guerra fria, os americanos, “revidaram” criando a palavra “astronauta”. Hoje as duas palavras são usadas igualmente. Em maio de 1998, quando os chineses começaram a explorar o espaço sideral. O chinês Chiew Lee Yih teve a ideia de “criar” um novo nome para designar “um chinês navegando no espaço”. Ele concebeu a palavra “taikonauta”, que é a junção de “taikong” = espaço em chinês (mandarino) + a palavra grega e também latina, “nauta”. É por isso que um chinês navegando no espaço não é um argonauta, não é um kosmonauta, nem um astronauta, mas sim, um “taikonauta”. E a palavra tem tudo para entrar no uso comum mesmo no ocidente.

O escritor palestino Imil Habibi *1922+1996, em livro publicado em 1974, “criou” o termo “pessotimista” com que designa uma pessoa que está num dilema entre o pessimismo e o otimismo, ou que avaliando a realidade concreta gostaria de ser otimista, mas o pessimismo barra-o a meio caminho. O livro foi traduzido para o espanhol e a palavra “pesoptimista” (em espanhol) bastante discutida e utilizada na década de 1990 na Espanha e em países de língua hispânica. O escritor indiano Jairam Ramesh, em 2005, publicou o livro Making Sense of Chindia, (India Research Press, Bangalore). Ele refere-se a um possível novo país CHINDIA, que seria a fusão da China com a Índia, cujos cidadãos seriam os “chindianos”. Esse país com o “software” da Índia e o “hardware” da China desequilibraria o mercado mundial da informática e periféricos.